A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, pode acontecer entre março e abril deste ano, segundo o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP).
Em entrevista a um programa de rádio nesta sexta-feira, o chefe do Executivo estadual afirmou que a Petrobras irá selecionar, no dia 30 deste mês, as empresas que irão trabalhar na construção efetiva da fábrica. Riedel irá participar, presencialmente, dessa seleção, em Brasília.
"Falei com a ministra Simone anteontem [21] sobre o assunto, para a gente poder entender o programa que está andando", disse o governador.
Ele acrescentou que o cronograma está em andamento, de acordo com o previsto.
"Quando a gente esteve lá, eles falaram: 'no começo de 26 a gente vai selecionar as empresas e vai assinar ordem de serviço', então está dentro do planejamento. Eu imagino que selecionando e começando agora em março, abril as obras, a gente tenha ela operacional no final de 27 ou 28, entregrando fertilizante nitrogenado para o Mato Grosso do Sul e para o Brasil", concluiu o governador.
UFN3
Conforme reportagem do Correio do Estado, até o início de dezembro, o cronograma divulgado pela Petrobras apontava que o início da produção de fertilizantes nitrogenados seria em 2029, conforme seu Plano Estratégico 2026/2030.
Na ocasião, a Petrobras não informou, no entanto, se o cronograma de início das obras seria prorrogado.
Inicialmente o plano, conforme já adiantou o Correio do Estado, era de que as obras fossem entregues ainda durante o chamado Lula 3 – terceira vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupa o cargo.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reafirmou em setembro do ano passado o compromisso da estatal com a conclusão da fábrica.
O projeto, desde 2014, permanece paralisado, mesmo estando com mais de 80% das estruturas concluídas. A conclusão demandará um investimento de US$ 800 milhões.
Histórico
A UFN3 foi lançada em 2008, com o objetivo de reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortalecer o agronegócio nacional. Orçada inicialmente em R$ 3 bilhões, a obra foi interrompida em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff, após a Petrobras romper contrato com a construtora Galvão Engenharia, envolvida na Operação Lava Jato.
As promessas de conclusão passaram por diferentes governos e gestões da Petrobras. Durante a administração de Michel Temer, em 2018, a estatal tentou vender a fábrica para o grupo russo Acron, negócio que não avançou. Na gestão de Jair Bolsonaro, o ativo chegou a ser incluído em pacotes de privatização, novamente sem êxito.
Com a volta de Lula à Presidência, em 2023, o discurso mudou. A Petrobras retomou a narrativa de “reviver” o setor de fertilizantes, classificado como estratégico para a soberania nacional.
Ainda assim, o cronograma continua se arrastando, e a companhia admite que o projeto de Três Lagoas é o mais complexo do portfólio, exigindo revisão de contratos, atualização tecnológica e novos estudos de viabilidade.
Fonte: correiodoestado.com.br
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