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Dois idiomas, paixão por música e futebol: o caminho de Lucas Pinheiro Braathen até trocar a Noruega pelo Brasil

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Lucas Pinheiro leva ouro no Slalom gigante, nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Foto: Dimitar Dilkoff / AFP

Primeiro medalhista do país em Jogos de Inverno nasceu em Oslo, construiu relação com a cultura brasileira desde a infância e trocou de bandeira após divergência com confederação

Você pode até estranhar o “sotaque” de Lucas Pinheiro Braathen, primeiro medalhista do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno, quando fala em português. Mas não duvide da relação e do afeto do atleta de 25 anos, nascido em Oslo, capital da Noruega, que decidiu representar o país da mãe desde 2024.

Filho de um norueguês e de uma brasileira, o atleta que conquistou ontem o ouro na prova do slalom gigante passou a maior parte da vida em temperaturas baixas na Europa, se desenvolveu como uma das grandes promessas do esqui alpino da Noruega, potência do esporte, mas, por conta de uma desavença interna com a confederação, mudou o rumo na carreira.

Desde que decidiu defender o Brasil, o atleta passou a visitar mais vezes o país e a se aprofundar mais na cultura brasileira. Um dos pilares de Lucas para imergir na cultura tem sido sua namorada, a atriz Isadora Cruz, no ar na novela "Coração Acelerado". Paraibana, a atriz passou a mostrar ao esquiador músicas e comidas típicas da região.

— Eu sou um paulista, né? Então eu tenho sotaque de São Paulo. Quando eu visito a Isa aqui no Rio de Janeiro, eu viro meio carioca. Mas agora que eu conheci João Pessoa, visitando a família dela, estou falando "'oxe", "oxente". Nossa, o meu sotaque está uma bagunça. Eu sou um norueguês, paulista, nordestino, carioca — disse o esquiador em conversa com o ge.

Mais do que o sotaque misturado, está também o molejo quase certo do atleta, que ama dançar e se arrisca a sambar para comemorar os títulos, uma tradição tipicamente brasileira. Os aprendizados na neve norueguesa tiveram um tempero maior com o lema “Vamos dançar”, de Jorge Ben Jor e João Gilberto, que estão entre seus artistas favoritos, os quais lembra com carinho da mãe dançando em casa e leva esse elemento para a sua carreira.

A troca da Noruega pelo Brasil

A carreira esportiva de Lucas começou cedo, aos 9 anos, na Noruega, quando deu os primeiros passos no esqui. Talento natural, logo escalou degraus nas equipes de desenvolvimento até o topo da federação norueguesa, uma das maiores potências da modalidade.

Saiba quem é Lucas Pinheiro, responsável pela primeira vitória do Brasil em 102 anos de Jogos Olímpicos de inverno

A trajetória foi meteórica: aos 20 anos, em outubro de 2020, venceu sua primeira etapa de Copa do Mundo, no slalom gigante, em Sölden, na Áustria. Dois anos depois, conquistou vitória épica no slalom, na etapa de Wengen, na Suíça. Na temporada 2022/23, após uma primeira Olimpíada tímida, em Pequim-2022, foi campeão do mundo no slalom, superando o também norueguês Henrik Kristoffersen para ficar com o globo de cristal.

Quando tudo se encaminhava para que Lucas iniciasse o novo calendário defendendo seu título, veio a decisão que supreendeu o cenário da modalidade: decidiu se aposentar aos 23 anos, em outubro de 2023.

Na época do anúncio, a imprensa europeia noticiou conflitos de visões na relação com patrocinadores. A federação norueguesa exigia apenas o vínculo com marcas do país, e Lucas possuía contratos pessoais relevantes, um deles com uma marca austríaca de energéticos.

Poucos meses depois, em março de 2024, Lucas anunciou a volta ao esporte, mas defendendo a bandeira do Brasil. O atleta afirmou que, para a nova fase da carreira, buscava uma condução mais individual, com um time próprio, menos focada nos interesses coletivos da equipe norueguesa e com espaço para “mostrar personalidade”. Atualmente, Lucas possui um estafe de dez pessoas, reside na Áustria e tem outro imóvel em Milão, uma das sedes dos Jogos.

Sob a bandeira brasileira, Lucas já soma dez pódios (um ouro, sete pratas e dois bronzes) de Copa do Mundo, entre slalom e slalom gigante. O último foi no fim de janeiro: prata no slalom gigante, na etapa de Schladming, na Áustria.

Campeão de cinco etapas pela Noruega em Copas, ele já havia obtido o primeiro ouro brasileiro na competição, no slalom, na etapa de Levi, na Finlândia, em novembro de 2025. Um ouro já histórico, não mais que o conquistado ontem, na Itália, que o coloca para sempre como um herói olímpico brasileiro.

Fonte: oglobo.globo.com

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