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Lideranças nacionais discutem em Mato Grosso do Sul empreendedorismo feminino e políticas públicas

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Evento 'Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas.

Foto: Álvaro Rezende/Secom-MS

O destaque da programação foi o painel “Mulheres que Movem a Economia e Transformam Territórios: Autonomia, Empreendedorismo e Fortalecimento do PROTEGE”, que reuniu duas referências nacionais

Fortalecer a autonomia feminina e ampliar as oportunidades para as mulheres sul-mato-grossenses foi o eixo central do evento 'Todas Diferentes, Todas Importantes: Elas Protagonistas', realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul em celebração ao Mês da Mulher.

Promovida por meio da Secretaria da Cidadania, a iniciativa ocorreu no início da tarde desta segunda-feira (9), no auditório Manoel de Barros, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande, e reuniu lideranças, especialistas, dirigentes e mulheres empreendedores para discutir caminhos de transformação social e independência econômica a partir do protagonismo feminino.

Presente ao encontro, o governador Eduardo Riedel destacou que momentos de diálogo como o realizado no evento ampliam a reflexão coletiva e contribuem para fortalecer iniciativas voltadas à transformação social. Segundo ele, a troca de experiências e ideias permite que lideranças e participantes saiam do debate mais informados e preparados para agir. “Não tenho dúvida de que esse bate-papo é extremamente importante para que todos nós saiamos daqui com mais informação e com opiniões mais bem embasadas sobre as nossas ações”, afirmou.

O governador também ressaltou que mudanças estruturais na sociedade começam nas relações cotidianas, especialmente no ambiente familiar, onde valores e comportamentos são formados e transmitidos às novas gerações.

“A construção dessa mudança está dentro de casa, no nosso dia a dia, com a nossa família, com nossos filhos e netos. A minha geração passou por isso. Falo por mim o quanto aprendi com a Mônica e com meus filhos, especialmente com a minha filha”, relatou.

Riedel reforçou ainda que lideranças públicas e institucionais precisam assumir uma postura firme diante de qualquer forma de discriminação ou violência. Para ele, quem ocupa cargos de comando deve agir com rigor e responsabilidade para garantir ambientes mais justos e respeitosos.

“Quem está em cargo de comando precisa ter tolerância zero com a intolerância e absoluta repulsa a qualquer tipo de preconceito ou violência contra a mulher”, completou.

O destaque da programação foi o painel “Mulheres que Movem a Economia e Transformam Territórios: Autonomia, Empreendedorismo e Fortalecimento do PROTEGE”, que reuniu duas referências nacionais.

Participaram a empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, reconhecida por sua liderança humanizada e por impulsionar o empreendedorismo feminino no país, e a ex-ministra das Mulheres Cida Gonçalves, especialista em políticas públicas para mulheres e com trajetória marcada pela atuação no enfrentamento à violência de gênero e na promoção da igualdade.

Em entrevista à imprensa, o governador Eduardo Riedel destacou que a presença da empresária Luiza Helena Trajano no Estado representa inspiração e oportunidade de novos caminhos para o desenvolvimento.

Segundo ele, a trajetória da empresária reforça valores ligados ao empreendedorismo, à geração de negócios e à inclusão de mulheres em diferentes áreas da economia. O governador ressaltou ainda que a atuação da empresária também chama atenção pelo olhar voltado às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

“A história dela inspira muito, principalmente pela atenção especial às mulheres que têm menos acesso e que mais precisam de oportunidades. Tenho certeza de que será uma aula para todos nós”, disse.

Luiza Helena Trajano compartilhou experiências pessoais e profissionais ao conversar com mulheres de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Durante o encontro, ela destacou que sua trajetória sempre esteve ligada a causas sociais e à busca por soluções.

“Eu não tenho partido político, eu tenho causas. Desde muito nova eu me envolvo com causas. Com 12 anos de idade eu já discutia temas como desigualdade social. A escravidão deixou uma marca muito profunda no Brasil e combater essas desigualdades é uma responsabilidade de toda a sociedade”, completou.

Luiza também ressaltou a importância de valorizar as próprias origens e não abrir mão da essência. “Você pode modernizar, pode evoluir, mas não pode ter vergonha do seu passado. A sua essência precisa continuar.”

A empresária destacou ainda a importância de ouvir as pessoas e aprender continuamente. “Eu tenho muita capacidade de escutar. As pessoas acham que sou muito inteligente, mas eu faço perguntas. Tudo o que aprendi eu perguntei."

Ao falar sobre mudanças na forma de administrar empresas, ela lembrou que a gestão passou por transformações ao longo das últimas décadas. “Antigamente a gestão era totalmente mecânica. As pessoas não podiam demonstrar sentimentos, não podiam dizer que estavam doentes ou que tinham um filho no hospital. Depois isso começou a mudar e a administração passou a ser mais orgânica, mais humana.”

Luiza reforçou ainda a importância da união entre as pessoas e do compromisso com o país.“Eu acredito muito na união. O mundo precisa disso. Precisamos parar de dividir e trabalhar por projetos para o Brasil. Eu sou brasileira até o fim e acredito que precisamos amar e lutar pelo nosso país.”

A secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, conduziu a mediação do encontro e destacou o papel da pasta na promoção de ações afirmativas e no fortalecimento do protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul.

Segundo ela, o evento foi pensado como um espaço de diálogo, inspiração e articulação em torno do empreendedorismo feminino como instrumento de transformação social. “Nenhuma sociedade se desenvolve plenamente quando metade da sua população ainda enfrenta mais barreiras para avançar.”

Viviane ressaltou que a construção do país passa diariamente pelo trabalho e pela atuação das mulheres em diferentes áreas da sociedade.

“O Brasil é construído todos os dias pela força das mulheres. Mulheres que trabalham, que empreendem, que cuidam, que lideram comunidades e que, muitas vezes, mesmo diante de tantas desigualdades, seguem abrindo caminhos.São mulheres que transformam a economia, transformam suas famílias e transformam o futuro de toda a sociedade”, pontuou.

Ao abordar o tema da autonomia econômica, ela afirmou que o debate vai além da geração de renda e está diretamente relacionado à liberdade e à proteção das mulheres. “Quando falamos de autonomia econômica das mulheres, não falamos apenas de renda ou de empreendedorismo. Falamos de liberdade, de oportunidades e também de uma das formas mais poderosas de enfrentamento à violência contra as mulheres”, ponderou.

Segundo Viviane, a independência financeira fortalece a capacidade de decisão e contribui para romper ciclos históricos de desigualdade. “Quando uma mulher tem autonomia econômica, ela fortalece sua voz, amplia sua capacidade de decisão e rompe ciclos de desigualdade”, afirmou.

A secretária ressaltou que, em Mato Grosso do Sul, as mulheres já representam a maioria da população e ampliam sua presença no empreendedorismo e na economia. Viviane também destacou que o mês de março convida à reflexão sobre a diversidade de trajetórias femininas existentes no Estado.

“Existem mulheres com histórias, realidades e desafios diferentes: mulheres das cidades e do campo, das periferias, indígenas, quilombolas, líderes e empreendedoras. Precisamos de mais mulheres na política e em todos os espaços de liderança. E precisamos que esses espaços reflitam a diversidade das mulheres brasileiras.”

Ela concluiu ressaltando que a ampliação da participação feminina fortalece a democracia e contribui para o avanço da sociedade.

Desigualdade ainda é desafio

A ex-ministra das Mulheres Cida Gonçalves afirmou que a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres ainda depende de mudanças profundas na sociedade, especialmente no enfrentamento ao machismo e às estruturas patriarcais.

“Não vamos conseguir ter igualdade enquanto tivermos patriarcado e machismo. Foram séculos de luta das mulheres, do movimento de mulheres no Brasil e no mundo. Nós conquistamos muita coisa, mas nada disso aconteceu porque éramos bonitinhas ou arrumadinhas. Foi porque as mulheres lutaram”, assinalou.

Segundo ela, os avanços observados na política, na economia e em outras áreas são resultado direto dessa mobilização histórica. “Se hoje temos senadoras, deputadas, ministras e empresárias é porque houve luta. Essas conquistas não foram fáceis e agora o nosso desafio é manter e avançar.”

Cida destacou ainda que, por muito tempo, a luta por direitos foi conduzida quase exclusivamente pelas próprias mulheres, mas que agora é necessário ampliar essa participação e que o movimento feminino não deve ser tratado como uma disputa entre homens e mulheres, mas como uma busca por igualdade real. “Não podemos transformar a luta das mulheres em uma guerra dos sexos. O que queremos é conquistar espaços e ter igualdade.”

Para ela, os números ainda mostram o tamanho do desafio. “Não existe igualdade quando somos apenas 17% do Congresso Nacional. Não existe igualdade quando temos apenas duas governadoras no país, menos de 10% de prefeitas e quando as mulheres ganham cerca de 30% a menos que os homens, mesmo trabalhando mais. Precisamos lutar para que todos os municípios tenham secretarias ou estruturas específicas para políticas para mulheres. Isso garante que o olhar de gênero esteja presente em todas as áreas da administração pública, concluiu.”

No Mato Grosso do Sul, as mulheres representam 50,8% da população, o equivalente a 1.400.498 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2022. Elas são maioria em 35 municípios e ampliam, ano a ano, sua presença em diferentes espaços da sociedade.

O avanço também se reflete no empreendedorismo. Atualmente, cerca de 159.921 mulheres são donas de negócio no Estado, o que representa 42% do total de empresários, segundo levantamento do Observatório da Cidadania com base em dados da Receita Federal de 2026.

O estudo aponta ainda que 171.825 empresas em Mato Grosso do Sul são comandadas por mulheres, o equivalente a 44,9% do total. A presença feminina é mais forte nos setores de comércio, agropecuária e serviços, com predominância entre empreendedoras de 35 a 39 anos.

Esse crescimento também aparece na vida pública. Hoje o Estado conta com 13 prefeitas, número que em 2020 era de cinco, representando aumento de 160%.

Nas câmaras municipais, a presença feminina também avançou. Foram eleitas 213 vereadoras no pleito de 2024, frente a 163 em 2020, crescimento de 30%, indicando uma ampliação gradual da participação das mulheres nos espaços de decisão política.

Capacitação e fortalecimento da rede de proteção

Na mesma ocasião, a Secretaria da Cidadania assinou um termo de intenção com a ex-ministra Cida Gonçalves para a contratação do curso de capacitação “Protege MS – Fortalecimento dos Organismos de Políticas Públicas para Mulheres”.

A formação será realizada por meio de oficinas voltadas a servidoras que atuam diretamente no atendimento a mulheres em situação de violência, com o objetivo de qualificar e fortalecer as equipes dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher, abrigos e demais estruturas da rede de proteção.

O Protege MS é um programa estadual de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres que reúne diferentes secretarias e órgãos estaduais em ações integradas de combate e redução da violência. A iniciativa atua de forma transversal e intersetorial com medidas educativas, de proteção, acolhimento e responsabilização de agressores.

O programa busca fortalecer a rede de atendimento, qualificar profissionais, promover a autonomia das mulheres e ampliar serviços especializados nos municípios, garantindo proteção e apoio às vítimas.

Parcerias com o Sebrae

Em sua participação no encontro, a diretora-técnica do Sebrae MS, Sandra Amarilha, iniciou a fala emocionada ao destacar a inspiração que encontra no exemplo da empresária Luiza Helena Trajano. Segundo ela, a trajetória da empreendedora acompanha sua própria caminhada profissional no Sebrae há mais de três décadas.

Sandra ressaltou que Mato Grosso do Sul ocupa atualmente a sétima posição nacional em empreendedorismo feminino e destacou a relevância econômica desse movimento. De acordo com ela, cerca de 42% da atividade econômica do Estado já é impulsionada por mulheres empreendedoras, o que demonstra a força crescente desse protagonismo.

A diretora também enfatizou que o empreendedorismo feminino representa, sobretudo, autonomia financeira e geração de oportunidades. Para ela, aquilo que durante muito tempo foi tratado apenas como potencial começa a se consolidar como uma potência real, capaz de gerar renda, dignidade e independência para milhares de mulheres sul-mato-grossenses, especialmente com o apoio de parcerias entre o governo estadual, o Sistema S e entidades empresariais.

O evento também destacou parcerias entre a Secretaria da Cidadania e o Sebrae realizadas entre março de 2025 e fevereiro de 2026, voltadas ao empreendedorismo feminino e à inclusão produtiva.

Entre as iniciativas estão o Delas Day, realizado em março de 2025 em Campo Grande e que reuniu cerca de três mil mulheres, cursos de capacitação voltados à cidadania e autonomia feminina em diversos municípios, ações de fortalecimento do afroturismo e programas de qualificação empreendedora em 19 cidades.

Outras atividades incluíram encontros com mães de pessoas com deficiência, projetos voltados a famílias atípicas, ações de empreendedorismo quilombola e indígena, além de capacitações como o Empretec Indígena e o Empretec Quilombola.

Em fevereiro de 2026, o encontro MS Empreende Mais apresentou resultados das ações de 2025 e iniciativas previstas para 2026, destacando o convênio com o governo estadual e o apoio de R$ 16,4 milhões ao programa Cidade Empreendedora.

Por: Alexandre Gonzaga, Comunicação do Governo de MS

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