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Manifestações contra o alto custo de vida no Irã deixam vários mortos e se espalham pelo país

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Manifestações tomaram conta das ruas de várias cidades iranianas, como na capital Teerã (foto de 29 de dezembro de 2025).

Foto: © AFP - HANDOUT / RFI

O movimento de protestos contra o alto custo de vida no Irã está se estendendo às cidades do interior

O movimento de protestos contra o alto custo de vida no Irã está se estendendo às cidades do interior. Na quarta-feira (31), quarto dia de manifestações, os atos foram marcados por intervenções duras por parte das forças de segurança. Nesta quinta (1º), novos protestos levaram a confrontos entre manifestantes e forças da ordem, que deixaram três mortos, segundo a imprensa local.

Na manhã do primeiro dia do ano, comerciantes do mercado de frutas e verduras de Teerã protestaram pedindo greve, um dia após atos violentos que eclodiram em várias cidades do país, incluindo Hamedan, Isfahan, Shiraz, Fassa e Kouhdasht. Na noite de quarta-feira, as manifestações se espalharam para cerca de trinta cidades, com forte participação de jovens.

Em Kouhdasht, na província de Lorestan, no oeste do Irã, onde as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e armas de fogo contra os manifestantes, o procurador declarou que um jovem membro da milícia islâmica Bassidji, ligada aos Guardiões da Revolução, foi morto na quinta-feira "enquanto defendia a ordem pública".

Treze agentes das forças de segurança também ficaram feridos "por arremessos de pedras", afirmou Saïd Pourali, vice-governador da província de Lorestan, acrescentando que 20 pessoas foram presas. Na cidade de Fassa, no centro do país, a polícia interveio com violência para dispersar manifestantes que haviam atacado a sede da prefeitura. Quatro pessoas foram detidas.

Segundo a agência Fars, várias pessoas morreram em confrontos entre forças de segurança e um grupo de centenas de manifestantes na cidade de Lordegan, no sul do país, que tem entre 40 mil e 50 mil habitantes. Outra agência de notícias fala em duas mortes. A Fars acrescentou que alguns manifestantes estavam armados e que houve feridos de ambos os lados. Vários prédios públicos e bancos foram gravemente danificados.

Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ouvir tiros em outras cidades enquanto manifestantes gritavam slogans contra a ditadura ou a favor do retorno da monarquia.

O movimento de protesto começou com comerciantes, insatisfeitos com o alto custo de vida e a hiperinflação no país, que enfrenta severas sanções ocidentais. Em seguida, estudantes integraram a mobilização. Em Teerã, alunos protestaram nos dormitórios e nos pátios de várias universidades.

Corrupção e ingerência "No ano passado, a inflação aumentou muito. Evidentemente, isso provoca um aumento da pobreza e grupos inteiros da sociedade acabam abaixo da linha da pobreza", resume Saeed Laylaz, economista iraniano próximo aos reformistas.

Mas, segundo ele, "um dos grandes problemas é a corrupção que vem da ingerência do governo na economia iraniana. Nessas condições, só se pode esperar grandes protestos", sentencia.

"Estamos falando de milhares de pessoas em diferentes cidades e confrontos com as forças do regime", relata Kian Habibian, cofundador do grupo We are Iranian Students (Somos Estudantes Iranianos, na tradução do inglês).

"O regime atira com balas reais contra a multidão e estamos recebendo muitas imagens da repressão, agentes fortemente equipados atirando para dispersar a população", alerta o militante.

Fonte: terra.com.br

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