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Ministério Público fecha o cerco contra a corrupção nas prefeituras de MS

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Ontem, em Bonito, o Gecoc, grupo do MPMS especializado no combate à corrupção, prendeu o secretário de Finanças da cidade.

Foto: Divulgação/MPMS

Operações em 11 cidades expõem esquemas milionários de corrupção e ampliam a ofensiva a crimes em câmaras e prefeituras

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) lançou ontem mais uma etapa no cerco à prática de crimes de colarinho branco, como corrupção passiva, fraude em licitação e peculato em prefeituras e câmaras municipais do Estado.

Desta vez, o município alvo do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do MPMS foi Bonito, paraíso ecológico mundialmente conhecido, cuja prefeitura está envolvida em um esquema que abrange práticas de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.

Os contratos investigados pelo Gecoc na prefeitura de Bonito somam R$ 4,39 milhões. A partir desses contratos o grupo envolvido corrompia agentes públicos e desviava recursos do erário por meio de conluios empresariais.

O Gecoc ganhou musculatura neste ano e já conta com equipamentos e uma equipe de servidores em estrutura similar à de outro grupo igualmente conhecido no MPMS pelo combate ao crime organizado, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) – que, inclusive, deu apoio à operação em Bonito.

Foram presos pelos agentes do Gecoc, com apoio de policiais civis e militares, o secretário de Finanças de Bonito, Edilberto Cruz Gonçalves, conhecido como Beto Caveira; o arquiteto Carlos Henrique Sanches Corrêa, que atua como fiscal de finanças na cidade; e Luciene Cíntia Pazette, responsável pelo setor de licitações e contratos.

O Correio do Estado apurou que um empresário também é alvo de mandado de prisão, mas estava foragido até o fechamento desta edição. O nome dele não foi divulgado pelo MPMS. No esquema, ele é apontado como beneficiário direto dos contratos fraudulentos.

Apesar do envolvimento de servidores do primeiro escalão, o prefeito de Bonito, Jusmail Rodrigues – que por anos foi filiado ao PSDB e recentemente ingressou no PL, acompanhando o ex-governador Reinaldo Azambuja –, não foi alvo da operação.

A ação, desencadeada ontem, recebeu o nome de Águas Turvas. A intenção do MPMS ao batizar a operação foi justamente estabelecer um contraponto às águas cristalinas que tornaram Bonito mundialmente famosa.

Foram expedidos pelo Poder Judiciário quatro mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Bonito, Terenos e Curitiba (PR).

Cerco se fechando

Este ano tem sido marcado por uma atuação mais incisiva do Gecoc no combate à corrupção em prefeituras e câmaras municipais de Mato Grosso do Sul.

Desde o início do ano, já foram desencadeadas ações de combate à corrupção em 10 cidades do Estado e em uma Câmara Municipal.

Neste mês, o alvo foi Miranda, um dos portais do Pantanal sul-mato-grossense. O grupo do MPMS apura na cidade os mesmos crimes: organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A desfaçatez dos envolvidos no esquema criminoso em Miranda era tamanha que algumas das empresas vencedoras das licitações não possuíam sequer sede própria ou funcionários registrados, mas ainda assim venciam certames para o fornecimento de produtos de todo tipo – materiais de construção, de escritório, gêneros alimentícios, produtos de limpeza, informática e kits escolares, entre outros.

Terenos

No mês passado, ocorreu a mais incisiva das operações desencadeadas pelo MPMS: a Operação Spotless, em Terenos, cidade praticamente conurbada com Campo Grande, a apenas 22 quilômetros da Capital.

Por causa da suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e fraude em licitações, o prefeito da cidade, Henrique Budke (PSDB) – afastado do cargo após a operação – passou quase um mês preso preventivamente.

Ele liderava um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propina por meio de contratos que somavam R$ 15 milhões. As licitações eram, segundo o MPMS, “de cartas marcadas”, com vencedores previamente definidos e simulação de concorrência para despistar as autoridades.

Após vencer os certames, o empresário responsável por reformas em escolas pagava propina ao prefeito, conforme as investigações.

Além do prefeito de Terenos, outras 25 pessoas foram denunciadas por crimes como corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

Outras ações

Além dessas duas prefeituras, os municípios de Água Clara, Rochedo, Três Lagoas, Coxim, Sidrolândia e Nioaque também tiveram contratos da administração pública investigados.

Em Aquidauana, o alvo foi a Câmara Municipal, que, segundo o MPMS, teria fraudado processo licitatório e o contrato dele decorrente.

Saiba

O Grupo Especial de Combate à Corrupção do Ministério Público de Mato Grosso do Sul teve sua estrutura reforçada nos últimos anos em razão da demanda: alto índice de inquéritos para apurar casos de corrupção em MS.

Fonte: correiodoestado.com.br

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