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Nelsinho Trad afirma que diálogo com os Estados Unidos é uma "missão difícil"

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Senador Nelsinho Trad (PSD), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O anúncio foi feito nas redes sociais do senador que é Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado e vai aos EUA para negociar "tarifaço" de Donald Trump

Nesta quarta-feira (23), o senador e Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad, afirmou em seu perfil do Instagram que o diálogo com os Estados Unidos sobre o recente "tarifaço" anunciado pelo presidente americano Donald Trump, trata-se de uma "missão difícil", mas não impossível.

"Nós vamos tentar mostrar para eles (políticos estadunidenses), que essa é uma medida de 'perde perde'. Não é só o Brasil que vai perder, os Estados Unidos também vão perder com essa sobretarifa", declarou parlamentar.

Conforme já foi divulgado pelo Correio do Estado, Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP), são integrantes da Comissão Temporária Externa para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos (CTEUA), e irão aos Estados Unidos em missão oficial a Washington na última semana de julho.

Ainda nesta tarde, segundo o que foi publicado nas redes sociais de Trad, o senador teve uma reunião com o Ministério das Relações Exteriores - (MRE), para alinhar os próximos passos da missão.

Composto por quatro titulares e quatro suplentes, o grupo propõe debates aos políticos estadunidenses na intenção de reforçar os vínculos institucionais e defender os interesses comerciais do Brasil, em temas como comércio exterior, investimentos, cadeias produtivas, agricultura e segurança jurídica, missão oficial à cidade de Washington marcada para última semana de julho.

Além do senador Nelsinho Trad (presidenteda comissão) e da senadora Tereza Cristina (integrante), também fazem parte da comissão os seguintes senadores: 

Tereza Cristina (PP-MS) Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) Jacques Wagner (PT-BA) Esperidião Amin (PP-SC) Rogério Carvalho (PT-SE) Fernando Farias (MDB-AL) Carlos Viana (Podemos-MG) A criação da comissão foi articulada entre Senado e a Presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, diante da necessidade de fortalecimento das relações bilaterais no contexto das novas barreiras tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, que já impactam diversos setores da economia brasileira.

A missão tem caráter suprapartidário, institucional e estratégico, com o objetivo de promover o diálogo direto com parlamentares norte-americanos e fortalecer os laços bilaterais entre os Poderes Legislativos dos dois países.

POSICIONAMENTO

Na última quarta-feira (16), em pronunciamento no Plenário, o senador Nelsinho Trad defendeu uma resposta diplomática coordenada para enfrentar a crise comercial entre ambos os países. O senador afirmou que é preciso baixar a tensão entre os dois países e buscar soluções pragmáticas para evitar prejuízos econômicos, especialmente aos municípios do interior que dependem das exportações.

Na opinião dele, o comércio internacional não pode ser tratado como um campo de batalha ideológica ou partidária, e sim, classificado como uma agenda de Estado, que deve ser guiada pelo pragmatismo, pela responsabilidade, sempre com foco na geração de emprego, renda e oportunidades.

TIRO NO PÉ

Recentemente, a senadora Soraya Thronicke (Podemos) criticou as tarifas comerciais impostas pelo governo estadunidense em relação ao Brasil, fato que a senadora classificou como um verdadeiro "tiro no pé" por parte de Donald Trump.

Para a senadora, que classificou o governo americano como "desestruturado" e "perigoso", a medida é uma manobra política e não técnica. "Eu chego a ter pena dos americanos que enfrentam, neste momento, um governo completamente desestruturado e até mesmo perigoso. Isso abre uma brecha importante para que nós possamos diversificar os destinos das nossas exportações", declarou. 

Thronicke destacou que a medida libertaria o país do mercado norte-americano e fortaleceria a relação de outros países entre si. "A curto prazo pode ser ruim, mas a longo prazo eu acredito que será de suma importância para a nossa economia. Podemos fazer desse limão uma grande limonada", afirmou a senadora.

TARIFAÇO

A medida que impôs tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, repercutiu no Senado.  O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), também repudiou a decisão, que chamou de “ataque ao comércio, à indústria e ao agronegócio brasileiro”, motivado, segundo ele, por interesses eleitorais.

"A decisão do presidente norte-americano foi divulgada, pasmem, por carta publicada nas redes sociais, uma carta dirigida ao presidente Lula que elenca motivos políticos, eleitorais, pessoais, e não elenca nenhum motivo de ordem comercial ou tarifária", criticou Calheiros.

O senador também contestou a justificativa de Trump, que alegou déficit dos EUA na balança comercial com o Brasil. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a realidade é oposta: é o Brasil que tem acumulado déficits consecutivos com os Estados Unidos desde 2009.

Renan defendeu a aplicação da chamada Lei da Reciprocidade como resposta às tarifas unilaterais impostas por Washington. A legislação, originada a partir do PL 2.088/2023, de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), foi aprovada pelo Congresso em abril e sancionada pela Presidência no mesmo mês, após um primeiro aumento tarifário de Trump sobre o aço brasileiro.

O decreto que regulamenta a lei foi publicado nesta terça-feira (15), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma autoriza o Brasil a suspender concessões comerciais, investimentos e até obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade internacional do país.

Fonte: correiodoestado.com.br

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