Notícia

Petrobras garante gás natural para a UFN3, mesmo com escassez na Bolívia

Compartilhar:
Cover Image

Petrobras garante gás natural para a UFN3, mesmo com escassez na Bolívia.

Foto: Divulgação/YPFB

Estatal que retoma a obra ainda neste semestre, diz que se o gás boliviano acabar, reverte o fluxo do Gasoduto Bolívia-Brasil e mantém fábrica de fertilizantes com matéria-prima do pré-sal

A possível escassez de gás natural nas jazidas bolivianas, que está prevista para aumentar nos próximos anos no caso de novos investimentos em prospecção não acontecerem no país vizinho, não colocam em risco o funcionamento da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), a Fábrica de Fertilizantes da Petrobras, em Três Lagoas, que a empresa estatal pretende reativar até junho.

No plano de reativação da unidade, que tem capacidade para ser a maior fábrica de fertilizantes da América do Sul, há a garantia de fornecimento do gás natural, matéria-prima para a fabricação dos fertilizantes nitrogenados como ureia e amônia, além do gás carbônico, outro produto que poderá ser elaborado na unidade, que deve ficar pronta até 2029.

O gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento, Dimitrios Chalela Magalhães, garante a matéria-prima. “Temos conexão com o Gasbol [gasoduto Bolívia-Brasil].

Mas se, eventualmente terminar o gás vindo da Bolívia, nós usamos o novo gás que vai estar na malha brasileira”, explicou. “A gente reverte o fluxo, e coloca o gás para dentro da UFN3”, acrescentou Magalhães.

Quando concluída, a UFN3 vai demandar 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia para produzir os fertilizantes nitrogenados.

Atualmente, a Petrobras compra da Bolívia uma quantia cujo fluxo varia entre 10 milhões e 15 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

Há tratativas dos governos brasileiro, argentino e boliviano, para trazer gás extraído das jazidas de Vaca Muerta, na Argentina, para o Brasil, via gasoduto Bolívia-Brasil.

Já foram realizados testes neste sentido, e houve êxito no envio do gás argentino por meio do Gasbol. É que parte do gasoduto que liga a Bolívia a Argentina teve o fluxo revertido entre a jazida de Vaca Muerta e Tarija, na Bolívia. Antes de se descobrir gás do lado argentino, o país austral também comprava gás boliviano.

Sobre a inversão de fluxo informada por Magalhães, ela é possível. Desta forma, o gás brasileiro oriundo de jazidas do Pré-Sal, ou mesmo de jazidas do Nordeste brasileiro, poderiam transportados para a UFN3.

Magalhães lembra que no mesmo plano de investimentos que garantiu US$ 1 bilhão para a retomada da UFN3, também foi colocado o investimento para a adição de 18 milhões de metros cúbicos a partir da costa de Sergipe.

RETOMADA

Conforme adiantou o Correio do Estado na semana passada, a retomada das obras da UFN3, em Três Lagoas, deve ocorrer entre junho e julho deste ano, segundo a Petrobras.

A previsão foi confirmada por Magalhães, que explicou que o início depende da conclusão da assinatura de contratos, prevista para maio.

Após essa etapa, as obras podem começar em até 60 dias. A expectativa é de que a unidade entre em operação no primeiro semestre de 2029.

Paralisado há mais de uma década, o empreendimento é considerado estratégico para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer a economia de Mato Grosso do Sul.

A Petrobras já concluiu parte das contratações e dividiu o projeto em 11 pacotes, que abrangem diferentes fases da construção. O investimento estimado é de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões).

Durante o pico das obras, a expectativa é de geração de 7 mil a 8 mil empregos diretos, além de vagas indiretas na região. 

Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade de produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, podendo suprir cerca de 15% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.

O tema ganhou ainda mais relevância após a instabilidade global provocada pela Guerra da Ucrânia, que afetou o fornecimento internacional desses insumos.

O projeto mantém as características originais de 2011 e é considerado competitivo no consumo de gás natural, insumo essencial para a produção.

A Petrobras afirma que haverá oferta o suficiente para abastecer a unidade, com apoio de novos investimentos na produção de gás. Parte da estrutura já existente será reaproveitada.

Fonte: correiodoestado.com.br

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Aeródromo de Paranaíba vai ganhar sinalização noturna e poderá operar 24 horas intermitentes

A obra vai implantar um sistema de sinalização noturna, permitindo que aviões decolem e pousem a qualquer hora do dia, inclusive de madrugada

Saiba mais
Cover Image

MS registra menor índice de desemprego desde 2012, com 2,9% de desocupação no segundo trimestre

A taxa de desocupação em Mato Grosso do Sul caiu para 2,9% no 2º trimestre de 2025, de acordo com a PNAD

Saiba mais
Cover Image

Novas regras para bicicletas elétricas entram em vigor; entenda

A Prefeitura, através do Departamento Municipal de Trânsito, orienta a população a ficar atenta às mudanças e respeitar as novas exigências, contribuindo para um trânsito mais seguro e organizado

Saiba mais
Cover Image

Prefeitura de Três Lagoas divulga gabarito preliminar do processo seletivo da educação

Ao todo, foram 4.637 inscritos, sendo que 3.689 estiveram presentes para a realização das provas

Saiba mais
Cover Image

No Brasil, a cada dez alunos de medicina em instituições privadas, quatro não atingiram nota no Enamed

No Paraguai, a UCP de Pedro Juan aprovou somente em 2025 mais de 220 médicos formados na instituição na prova do Revalida; aliada a Interamericana, curso de qualidade garante formação com preço acessível

Saiba mais
Cover Image

Prefeitura de Selvíria continua com mutirão de limpeza em todas as regiões

O mutirão tem como objetivo manter a cidade mais limpa, organizada e segura, além de melhorar as condições de circulação de pedestres e motoristas

Saiba mais