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PSD embaralha o jogo, turbina centro-direita sem Bolsonaro e pode atrapalhar palanques estaduais

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Caiado anuncia sua filiação ao PSD ao lado dos governadores Eduardo Leite e Ratinho Jr.

Foto: Reprodução/ Perfil do Instagram de Ronaldo Caiado

Ideia é trabalhar nomes alternativos no campo, embalados como “pós-bolsonarismo”. Nos bastidores, leitura é de que Kassab, com movimento ousado, está apostando que Tarcisio não será candidato

Com o anúncio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de que deixará o União Brasil para se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, o partido embaralha o tabuleiro eleitoral de 2026 e mexe nas articulações dos palanques estaduais.

O objetivo inicial e principal — segundo lideranças — é se colocar como alternativa de centro-direita sem Bolsonaro, com nomes para um pós-bolsonarismo.

Nos bastidores, o movimento é visto como o mais relevante no campo desde o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro do ano passado, apresentado por Jair Bolsonaro como seu escolhido.

Agora, Caiado passa a integrar um trio com os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Pelo desenho atual, um desses nomes deve sair como cabeça de chapa numa futura candidatura presidencial.

Ao blog, Caiado afirmou que o compromisso firmado com Kassab é garantir liberdade total ao escolhido para compor palanques. “Se eu for o candidato, por exemplo, subo no palanque do Neto, na Bahia”, disse o governador goiano.

Fator Tarcísio

Nos bastidores, o movimento de Kassab foi visto também como uma sinalização clara de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está saindo do jogo.

Kassab sempre defendeu o nome de Tarcísio como sucessor natural de Bolsonaro. Mas com o anúncio do nome de Flávio, o PSD passou a trabalhar com a hipótese de candidatura própria.

Se Tarcisio for candidato, Kassab estará com ele. Por isso, quem acompanha as articulações de bastidor avalia que Kassab não faria esse movimento ousado se não estivesse apostando que Tarcisio está fora.

Ainda assim, mesmo com a candidatura de Tarcísio cada vez mais remota, já que depende do recuo de Flávio, se algo mudar até a consolidação das candidaturas, para Tarcísio é mais fácil negociar com Kassab e com o PSD no campo da centro-direita.

Incluindo o nome de um vice na chapa, por exemplo. Ou, em outro cenário, até a negociação da retirada do PSD da disputa torna-se mais fácil, uma vez que o presidente do partido é aliado do governador paulista e sonha com o Palácio dos Bandeirantes.

E quem observa os movimentos do governador vê na jogada de Kassab — se levada até o fim — uma saia justa para Tarcisio. Motivo: o governador – apesar dos apoios públicos à família Bolsonaro – sempre se colocou como um perfil diferente do ex-presidente e dos filhos, mais moderado.

Com a candidatura de Flávio posta, e, agora, uma alternativa de centro-direita, como ele fará? Não vai subir no palanque do Flávio?

Por ora, a posição oficial de Flávio Bolsonaro é comemorar. Disse ao blog achar “muito bom” movimento do partido.

Na leitura do senador e pré-candidato, a entrada de Ronaldo Caiado no PSD não enfraquece o campo bolsonarista — ao contrário: amplia o front contra Lula (PT).

Ele avalia que a movimentação cria “mais uma candidatura para dar porrada no Lula”, o que, na visão dele, aumenta a rejeição do presidente.

Para Flávio, Caiado só deixou o União Brasil com a condição de ser candidato ao Planalto; caso contrário, teria permanecido onde estava. Embora nos bastidores se diga que Gilberto Kassab prefere Ratinho Júnior, essa é a leitura de Flávio: Caiado só fez o movimento porque teria tido garantias. A conferir.

Flávio vê aí também uma chance de reposicionamento pessoal. Quer se apresentar como uma alternativa “moderada” dentro do bolsonarismo. A ideia é dizer que ele é o Bolsonaro que tomou vacina. Mas, no mesmo raciocínio, reconhece que o poder real de transferência de votos continua sendo do pai.

“Quem tem voto é meu pai. As pessoas pedem apoio para Senado, para deputado, mas quem carrega é ele. Ele não vai estar na rua, mas pode subir no palanque. A Michelle pode subir. Eu vou subir. Mas quem transfere voto é ele. Não é a mesma coisa eu pedir voto e ele pedir voto”, afirma.

Olhando para os palanques estaduais, o filho mais velho de Bolsonaro vê a vida de Lula (PT) mais difícil nos estados e questiona:

No Rio de Janeiro, como fica o palanque lulista com o PSD lançando candidato?

No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite seria vice de Caiado? Isso abre caminho para o PL no Senado.

Em Minas Gerais, o PSD facilita a vida do grupo de Romeu Zema, num cenário em que o vice Simões não decola. Um PSD com candidato nacional tende a se alinhar a esse campo.

Sobre Tarcísio, Flávio insiste que precisa dele forte. Rejeita a narrativa de ruptura. “Não estamos brigados”, diz ao blog. Afirma ter certeza de que o governador de SP subirá em seu palanque e fará campanha. Chegou a dizer que falou diretamente a ele que a hiper exposição diminui rejeição — tese que defende para si mesmo.

Flávio ainda aposta ainda em um voto “antissistema” robusto em 2026 e o ambiente se reorganizando num eixo clássico: Bolsonaro contra Lula, com múltiplas candidaturas orbitando esse confronto.

Para ele, o movimento de Caiado e do PSD não fragmenta esse campo — amplia o alcance da ofensiva contra o governo e embaralha os palanques de Lula pelo país.

Com essa nova configuração para concorrer ao Planalto, a aposta de lideranças partidárias do partido é de que o — com esses candidatos — racha o centro com o qual Lula está contando — e em um eventual segundo turno, uni-se ao petista. “Criou se uma alternativa de um nome que vai buscar centro-direita nessa discussão”, Caiado disse ao blog.

Sobre um cenário de segundo turno, o governador de Goiás disse que "não foi feito um compromisso” por ora. Mas descarta apoio a Lula, por exemplo. “Eu não tenho como ir com Lula, por exemplo. Ordem pessoal de cada um".

Enquanto isso, no PT, a expectativa é atrair a ala lulista que está dentro do PSD de Kassab e discutir apoios regionais caso por caso, mas, até o momento, os primeiros relatos ouvidos pelo blog mostram que agora um apoio fechado embarcando com Lula fica mais difícil com esse trio (Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite) encabeçando as discussões, por conta dos perfis marcadamente antipetistas de todos eles.

Fonte: g1.globo.com

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