Notícia

Sem provas, Trump cita ataque a 'grande instalação' ligada ao tráfico na Venezuela; autoridades e agências dos EUA não comentam

Compartilhar:
Cover Image

Presidente dos EUA, Donald Trump, está aumentando cada vez mais a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.

Foto: Eric Lee / The New York Times

Em Caracas, não houve nenhum relato público de ataque por parte do governo ou de quaisquer outras autoridades

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump comentou nesta segunda-feira sobre uma operação que, segundo ele, destruiu uma "grande instalação" na Venezuela na semana passada. O republicano ofereceu poucos detalhes sobre a ação, mas afirmou que "houve uma grande explosão na área do cais onde os barcos são carregados com drogas". Em entrevista à rádio americana WABC na última sexta-feira, Trump havia anunciado o ataque, sem identificar explicitamente o alvo ou sua localização.

— Então, atingimos todos os barcos e agora atingimos a área — é uma área de distribuição, é onde eles distribuem as drogas, e isso não existe mais — afirmou o presidente.

Questionado sobre a autoria do ataque, Trump se recusou a dizer se ela foi executada por militares americanos ou por outra entidade, como a Agência Central de Inteligência (CIA).

— Não quero dizer isso — disse Trump à CNN. — Sei exatamente quem foi, mas não quero dizer quem foi. Mas você sabe, foi ao longo da costa.

Durante a entrevista concedida na última sexta-feira a John Catsimatidis, um bilionário apoiador do presidente e proprietário da WABC, Trump discutiu sua campanha militar para interromper o tráfico de drogas da América Latina, atacando embarcações no Caribe, que Washington afirma serem suspeitas de transportar drogas.

Sobre o anúncio do ataque na ocasião, autoridades americanas disseram que Trump se referia a uma suposta instalação de produção de drogas na Venezuela, mas até esta segunda-feira não haviam apresentado detalhes. Oficiais militares disseram não ter informações para compartilhar e a CIA se recusou a comentar e a Casa Branca também não se manifestou. Além disso, não houve nenhum relato público de ataque por parte do governo venezuelano ou de quaisquer outras autoridades da região.

— Eles têm uma grande fábrica ou uma grande instalação de onde vêm os navios — disse Trump, sem apresentar provas, especificar a localização ou confirmar a Venezuela como alvo do ataque. — Há duas noites, acabamos com isso.

Se a alegação de Trump for confirmada, será o primeiro ataque terrestre conhecido desde o início da campanha militar dos EUA contra a Venezuela. As autoridades americanas, apesar de afirmarem que a instalação era ligada ao narcotráfico, se recusaram a especificar qualquer detalhe sobre o local ou como o ataque foi realizado.

Embora algumas autoridades tenham classificado a instalação como um possível local de produção de drogas, não está claro qual o papel que ela desempenhava no narcotráfico. A Venezuela é, de fato, conhecida por seu envolvimento no tráfico de drogas, especialmente cocaína produzida na Colômbia, mas não é um grande produtor de narcóticos.

Trump vem prometendo ataques terrestres na Venezuela há semanas, como parte de uma campanha de pressão cada vez maior sobre o governo de Nicolás Maduro, que está sendo processado nos Estados Unidos por seu envolvimento com o narcotráfico. O presidente americano, inclusive, autorizou a CIA a iniciar o planejamento de operações secretas dentro da Venezuela.

Desde setembro, Washington vêm realizando ataques mortais contra embarcações no Caribe e no Pacífico. O governo Trump alega que os navios transportam cocaína. As operações já causaram a morte de, pelo menos, 105 pessoas.

Esses ataques a barcos foram originalmente planejados como parte de uma operação em duas fases. A segunda fase, que ainda não foi anunciada oficialmente, incluiria ataques terrestres a instalações de narcotráfico na Venezuela. Em paralelo, Trump anunciou um bloqueio total a "navios petroleiros sancionados" que saem ou se dirigem à Venezuela, numa escalada adicional da sua campanha de pressão sobre Caracas. A medida aumenta a pressão sobre Maduro, uma vez que visa sufocar a economia do país sul-americano, extremamente dependente das exportações de petróleo.

Fonte: oglobo.globo.com

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Cardeais que votam no conclave estão em Roma, diz Vaticano

Os 133 cardeais que participarão do conclave para eleger um novo papa já chegaram a Roma, informou o Vaticano nesta segunda-feira (5)

Saiba mais
Cover Image

Ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica morre aos 89 anos

Morreu nesta terça-feira (13), no Uruguai, o ex-guerrilheiro, ex-presidente e ícone da esquerda latino-americana José Alberto “Pepe” Mujica Cordano, aos 89 anos

Saiba mais
Cover Image

Em missão internacional, práticas de Mato Grosso do Sul na área educacional ganham destaque na Índia

Secretário Hélio Daher apresenta avanços em tecnologia e uso de dados na Educação durante encontro

Saiba mais
Cover Image

EUA retiram Alexandre de Moraes e esposa de lista da Lei Magnitsky

Mecanismo é usado para punir supostos violadores de direitos humanos

Saiba mais
Cover Image

Em telefonema, Lula e Macron conversam sobre Conselho da Paz de Trump

Presidentes também discutiram o acordo comercial Mecosul-UE

Saiba mais
Cover Image

Ex-presidente do Irã está em prisão domiciliar por suspeita de participar de plano secreto de Israel, diz jornal

Segundo jornal 'The New York Times', serviço secreto de Israel tentou cooptar Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano, para um plano para derrubar regime dos aiatolás e recolocar Ahmadinejad de volta no poder. Missão secreta falhou

Saiba mais