Notícia

Sonegador contumaz, empresário já foi alvo da PF e preso em MS

Compartilhar:
Cover Image

Operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Nioaque e no Paraná.

Foto: Divulgação PCMS

Grupo familiar usava empresas de fachada e laranjas para deixar de recolher impostos tributários

Alvo ontem da Polícia Civil, o empresário Reginaldo da Silva Maia, dono de frigoríficos, como Beef Nobre e Boi Brasil, e suspeito de gerenciar esquema de sonageção fiscal de quase R$ 1 bilhão em Mato Grosso do Sul, já foi figura carimbada da polícia. Em 2014 teve mandado de prisão pelo menos crime expedido, na época a operação era da Polícia Federal e o pagamento de impostos já era de grande monta. Além disso, já foi condenado duas vezes, em uma delas conseguiu reverter a situação.

Na ação de ontem, deflagrada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a Operação DNA Fiscal desmantelou suposta organização criminosa ligada ao empresário, suspeito de sonegar mais de R$ 779 milhões, lavar dinheiro e ocultar patrimônio por meio de empresas de fachada e de laranjas.

Conforme a delegada Ana Cláudia Medina, ao Correio do Estado, esta investigação começou a partir de novas suspeitas de crimes, que teriam sido fatos novos dos que foram investigadso em 2014, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Labirinto de Creta, ao qual o empresário também havia sido alvo e, inclusive, teve mandado de prisão expedido.

Na época, o empresário era suspeito de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e falsidade ideológica, crimes que teriam causaram rombo de R$ 200 milhões aos cofres públicos. Ele teve mandado de prisão expedido e chegou a ser preso, mas foi solto. Porém, foi condenado a 5 anos, 4 meses e 15 dias por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Na mesma decisão, 121 veículos foram confiscados em favor da União.

As investigações mostraram que, entre julho de 2012 e novembro de 2014, o empresário utilizou familiares e empresas de fachada para ocultar recursos provenientes da sonegação fiscal e previdenciária. Esse caso estaria relacionado ao frigorífico Beef Nobre e resultou no fechamento da unidade de Campo Grande.  Já em outra investigação, relacionada ao frigorífico Boi Brasil, também de propriedade do empresário e de sua família, ele conseguiu a absolvição.

Porém, 11 anos depois da operação da Polícia Federal, o Dracco, em investigação conjunta com a Procuraradoria Geral do Estado de Mato Grosso do Sul  (PGE/MS) e a Secretaria Estadual de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz/MS) identificou que o esquema se mantinha, só que sob outras empresas.

“A modalidade é a mesma [investigada pela Polícia Federal], mas não significa que continuem mesmas empresas. Eles mudam as artimanhas”, declarou Medina ao Correio do Estado.

Conforme o identificado nesta nova ofensiva contra o empresário, ele atuava em conjunto com sua família, em um esquema de fraude estruturada, dividido em três núcleos principais: o núcleo gerencial, que era formado pelos verdadeiros administradores, que comandavam as operações empresariais sem aparecer nos quadros societários; o núcleo de interpostos, os “laranjas”, composto por pessoas de baixa renda, registradas formalmente como sócios ou administradores das empresas para ocultar os reais beneficiários; e o núcleo financeiro, responsável pela movimentação de valores em espécie e ocultação patrimonial, inclusive por meio de pessoas físicas e jurídicas de fachada, dificultando o rastreamento de recursos.

As empresas envolvidas declaravam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas não recolhiam o imposto, acumulando dívidas fiscais milionárias. Com o aumento das sanções, os investigados transferiam as operações para novas empresas, repetindo o esquema fraudulento com sucessões empresariais simuladas, holdings patrimoniais e movimentações atípicas em espécie que ultrapassavam R$ 1 milhão por mês, segundo alertas de instituições financeiras.

Além das buscas, foram deferidas quebras de sigilo fiscal, bloqueio de ativos, acesso a dados de dispositivos eletrônicos apreendidos e compartilhamento de provas com a Procuradoria estadual e a Secretaria de Fazenda. As investigações seguem sob sigilo judicial.

O nome da operação remete à estrutura do grupo investigado, coordenado por membros de uma mesma família, que ao longo de décadas teria perpetuado práticas de fraude fiscal por meio de sucessão entre parentes e uso de vínculos consanguíneos para blindagem patrimonial. A sigla “DNA” simboliza tanto a origem familiar quanto a repetição padronizada do esquema ao longo dos anos.

Fonte: correiodoestado.com.br

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Polícia Civil apura vazamento de dados em massa de hospitais

Golpistas se passam por funcionários de hospitais para cobrar de pacientes internados na Capital procedimentos feitos pelo SUS

Saiba mais
Cover Image

Criminosos armados atacam quartel da Polícia Militar e agência bancária em MG

Durante o ataque, um policial militar ficou ferido na mão por estilhaços. A PM faz buscas, mas até o momento ninguém foi preso

Saiba mais
Cover Image

PF faz devassa em 8 revendas de pneus paraguaios na capital

Operação é desdobramento de outra ação policial realizada em novembro de 2023, do qual 6 mil pneumáticos foram confiscados por descaminho

Saiba mais
Cover Image

Mulher de 48 anos é a 29ª vítima de feminicídio em MS

Ao chegar em casa com o companheiro, a vítima foi agredida com uma facada e não resistiu

Saiba mais
Cover Image

Mulher é morta a tiros pelo marido no interior de MS

O suspeito identificado como Carlos Alberto da Silva, de 38 anos, está foragido até o momento

Saiba mais
Cover Image

Governo lança programa de R$ 11 bilhões contra o crime organizado

Um dos eixos é a asfixia financeira das organizações criminosas

Saiba mais