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No primeiro ano sem celular, reprovações caem pela metade

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No primeiro ano sem celular, reprovações caem pela metade.

Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Secretaria de Educação também atribui número positivo a iniciativas para garantir a permanência dos alunos nas escolas

Em Mato Grosso do Sul, a reprovação de estudantes na Rede Estadual de Ensino (REE) caiu pela metade no ano passado, o menor patamar já registrado, segundo o titular da Secretaria de Estado de Educação (SED), Hélio Daher. Isso ocorreu no primeiro ano em que os alunos foram proibidos de usar celulares nas escolas.

Conforme dados obtidos em primeira mão pela reportagem do Correio do Estado, em 2025, o índice de reprovação no Estado foi de 5,38% (10,2 mil alunos), metade do porcentual registrado no ano anterior, quando 10,10% (19,1 mil estudantes) foram reprovados no Ensino Médio.

Segundo Daher, este patamar nunca havia sido alcançado antes. “A gente nunca tinha baixado de 10%, já esteve pior, mas nunca abaixo de 10%, então, é de longe o melhor resultado”, afirmou o secretário.

A queda veio justamente no primeiro ano em que os celulares foram proibidos dentro das escolas, após entrar em vigor a Lei nº 15.100/2025, que restringiu o acesso ao aparelho nas instituições de ensino de todo o País, públicas ou privadas.

Para o titular da SED, além da proibição do uso dos celulares pelos estudantes dentro da sala de aula, outros pontos também contribuíram para essa queda tão considerável.

“A diminuição da reprovação na rede estadual de forma considerável é fruto de iniciativas focadas na garantia da permanência dos estudantes na escola, com ações voltadas para a melhoria do desempenho acadêmico e a redução de faltas”, disse Daher ao Correio do Estado. 

“Com certeza, entre as iniciativas, a suspensão do uso de celulares nas escolas contribuiu, haja vista que promoveu ambientes mais harmônicos e, principalmente, reforçou a dedicação de tempo dos estudantes às aulas e à construção coletiva do conhecimento”, completou o secretário.

PESQUISA

Em agosto de 2025, o Correio do Estado publicou reportagem em que mostrava, também em primeira mão, que pesquisa da SED apontava que, no primeiro semestre do ano letivo do ano passado, a proibição do uso de celulares nas salas de aulas havia contribuído para uma redução significativa da agressividade dos alunos, tanto com os colegas como com os professores, o que reduziu a violência no ambiente escolar.

Segundo a matéria, a pesquisa da época foi realizada com os 342 diretores de escolas estaduais de Mato Grosso do Sul em referência ao primeiro semestre do ano letivo, quando foi implantada a proibição do uso do aparelho nas unidades educacionais.

Aos diretores, foi perguntado: “Desde a implantação da lei, você percebeu algum impacto no comportamento social dos estudantes?” A pergunta se referia à agressividade dos estudantes no ambiente escolar.

Em resposta, 223 diretores (65,20%) disseram ter percebido impacto muito positivo com o fim do uso dos celulares pelos alunos. Outros 102 (29,82%) disseram ter percebido uma leve melhora.

Apenas 4,09%, ou 14 diretores, disseram não ter identificado nenhuma mudança significativa, e 0,87%, ou 3 diretores, relataram impacto negativo, com aumento da agressividade dos estudantes.

Em números totais, 325 diretores notaram que a agressividade e a consequente violência foram reduzidas com a implantação da proibição dos celulares. Isso significa dizer que a violência caiu em 98,1% das escolas estaduais de Mato Grosso do Sul.

Além do tema violência, a pesquisa da época também abordou a receptividade do tema. O levantamento mostrou que, apesar da resistência inicial, a maioria dos estudantes respeitava a proibição do uso dos celulares.

Segundo os diretores, em 97 escolas a reação foi positiva, em 196 houve algum tipo de resistência, mas depois houve melhora, e apenas em 49 unidades educacionais de todo o Estado ainda havia certo grau de resistência à medida.

No caso do armazenamento dos celulares, 277 diretores (80,9%) afirmaram que os estudantes guardavam os aparelhos desligados dentro das mochilas ou das bolsas. Porém, a pesquisa mostrou que as escolas do Estado também tinham oferecido outras opções para guardar o equipamento.

O maior impacto apresentado pela pesquisa estava justamente relacionado à qualidade da aprendizagem dos alunos. A esmagadora maioria dos diretores afirmou ter percebido melhora no ensino: 211 diretores (61,6%) disseram ter notado aumento na concentração e no engajamento nas aulas.

Alunos do Ensino Médio tiveram bom desempenho escolar no ano passado em Mato Grosso do Sul - Foto: Marcelo Victor/Arquivo Correio do Estado Outros 121 diretores (35,3%) afirmaram que houve leve melhora, ainda que pontual. Apenas 10 diretores (2,9%) não sentiram nenhuma mudança.

Ao serem perguntados se consideravam a medida como positiva, 331 diretores (96,7%) declararam que sim. Desses, 149, porém, afirmaram que a medida ainda necessitava de ajustes, apenas 2 disseram que a lei era negativa ou de difícil aplicação e outros 9 se declararam neutros e que a medida não havia trazido mudanças relevantes.

Fonte: correiodoestado.com.br

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