Notícia

Deputados da ALEMS debatem projeto que flexibiliza regras sobre licenciamento ambiental

Compartilhar:
Cover Image

Pedro Kemp utilizou a tribuna nesta quarta para falar sobre o projeto que muda as regras do licenciamento ambiental, em tramitação no senado.

Foto: Wagner Guimarães

Deputado Pedro Kemp (PT), 2º secretário da Casa de Leis, demonstrou preocupação com a aprovação do projeto de lei que cria o novo marco para o licenciamento no Brasil

Na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), nesta quarta-feira (21), o deputado Pedro Kemp (PT), 2º secretário da Casa de Leis, demonstrou preocupação com a aprovação do projeto de lei que cria o novo marco para o licenciamento no Brasil com a flexibilização de regras para empreendimentos com impactos sobre o meio ambiente. “O Projeto de Lei 2.159/2021 é considerado um retrocesso, porque prevê o licenciamento por parte de empresas de pequeno e médio porte, e licença ambiental para determinadas atividades agropecuárias. Quem é que irá definir o que é um empreendimento de pequeno e médio porte, serão os Estados e os municípios, o empreendimento se instala no município, causando ou não um impacto ambiental, não há exigência de licenciamento ambiental prévio para instalação”, destacou.

Pedro Kemp lembrou a tragédia que aconteceu com o rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, município de Minas Gerais (MG), em 2019. “A barragem de Brumadinho se rompeu, centenas de pessoas foram soterradas e morreram, e aquele empreendimento era considerado de médio porte, importante, com risco para a população que vivia em torno. Se esse projeto for aprovado, já aprovado pelas comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, ontem [20], não precisaria da licença. Um grande retrocesso na área de legislação ambiental”, considerou o parlamentar.

“Me preocupo também com as transferências para os Estados e prefeituras a responsabilidade pelo impacto ambiental das obras, isso pode prejudicar o meio ambiente, se não houver uma fiscalização maior. O processo de licenciamento ambiental vai deixar de ouvir a Fundação Nacional dos Povos Indígenas [Funai], o Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis [Ibama], outros órgãos técnicos, o que vai prevalecer é o interesse econômico pura e simplesmente. Não serão consultados comunidades indígenas e quilombolas, será uma lei que vai flexibilizar licença ambiental, em pleno ano que o Brasil sedia a COP 30 no segundo semestre, debatendo as crises climáticas, extremos do clima, os impactos disso na vida das comunidades e nas cidades. Nós, no Brasil, ao invés do nos preocuparmos em defender e preservar o meio ambiente, estamos flexibilizando licença ambiental”, ressaltou Pedro Kemp.

“Ainda prevalece para alguns aquela ideia de que defender o meio ambiente prejudica a agricultura é contra o desenvolvimento econômico, parece que o ambientalista é inimigo de quem quer produzir. Todo empreendimento precisa de um estudo de impacto ambiental para que ele gere o desenvolvimento sem destruir a natureza, porque os recursos naturais não são inesgotáveis. Se aprovado dessa forma o projeto será o maior retrocesso nos últimos 40 anos”, concluiu o deputado Kemp.

O deputado Zé Teixeira (PSDB), 2º vice-presidente da ALEMS, lembrou que todo projeto precisa de um aval técnico. “Não existe forma de fazer um projeto sem um técnico assinar. O setor produtivo tem as quatro estações do ano, e o Código Florestal brasileiro é mais perverso do mundo. O produtor rural já é obrigado por lei a preservar, sendo o único setor que preserva, quem não preserva é a cidade, polui. Eu entendo que o projeto de lei vem desburocratizar o desenvolvimento do País”, afirmou.

O deputado Pedrossian Neto (PSD) visitou recentemente a aldeia Porto Lindo, em Japorã. “Em se tratando de cobrança de promessas, cobrar o presidente Lula com relação a oferta de água nas aldeias. Fiquei muito mal impressionado em Japorã, na aldeia Porto Lindo, em que a reclamação era sobre a falta de poços semiartesianos e artesianos. Uma situação calamitosa, é uma coisa muito simples e muito fácil perfurar um poço”, considerou.

O deputado Zeca do PT (PT) falou sobre o convênio com a Itaipu Binacional para a perfuração de poços artesianos. “Cada vez mais eu me impressiono com a capacidade que a direita tem de distorcer os fatos. Lula autorizou convênio com o Estado de R$ 25 milhões da Itaipu Binacional, com a bancada do Governo do Estado. foi assinada um convênio garantindo R$ 50 milhões para a perfuração de poços para a população guarani-Kaiowá”, ressaltou.

A deputada Gleice Jane (PT) destacou que a pauta em prol dos indígenas sempre foi do Partido dos Trabalhadores. “Quem está trazendo as respostas é novamente o Governo Federal. Toda a política de atendimento ao indígena foi sucateada, os servidores da Funai vestem para participar da reunião e tiram para andar na rua. O Governo Lula tem atendido a população indígena, sim. Nós precisamos humanizar a política nessa pauta”, frisou.

Por: Christiane Mesquita

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Jovens vereadores e suplentes participam de formação antes da posse

O presidente da Câmara, vereador Tonhão, idealizador do parlamento, deu boas-vindas aos eleitos

Saiba mais
Cover Image

Marina Silva vê “PL da Devastação” como tiro no pé do agronegócio

Projeto de lei foi aprovado na Câmara durante a madrugada

Saiba mais
Cover Image

Zeca apresenta moção de congratulação à Lula por políticas de inclusão e proteção social

Em 2025, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU)

Saiba mais
Cover Image

Vereadores aprovam grande passo para habitação social em Três Lagoas

O projeto aprovado prevê a doação de lotes, construção de unidades habitacionais e os critérios para a moradia de interesse social

Saiba mais
Cover Image

Congresso aprova orçamento para 2026

Meta de despesas é de R$ 6,5 tri e de superávit é de R$ 34,2 bilhões

Saiba mais
Cover Image

Lula envia acordo comercial Mercosul-UE para o Congresso Nacional

Texto deve ser apreciado pelos parlamentares nas próximas semanas

Saiba mais