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Em MS, eleitor "nem-nem" também vai ajudar na definição de futuro presidente

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As pesquisas de intenção de voto mostram que a polarização política cansou o eleitorado brasileiro.

Foto: Arquivo

Hoje, o eleitorado brasileiro tem 5 grupos: lulistas, bolsonaristas, esquerda não lulista, direita não bolsonarista e independentes

Uma tendência nacional demonstrada pelas últimas pesquisas de intenção de voto para presidente da República nas eleições deste ano também já está sendo retratada pelos eleitores sul-mato-grossenses.

Ou seja, que o pleito deste ano será decidido pelos eleitores que não são nem pró-Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nem pró-Jair Messias Bolsonaro (PL), os chamados “nem-nem”, isto é, que não se enquadram na polarização entre lulismo e bolsonarismo no Brasil.

A análise foi feita pelo diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, com base da avaliação do cientista político, professor e comentarista Felipe Nunes, que é sócio-fundador e diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria, uma das principais empresas do ramo atualmente no Brasil.

Na semana passada, Felipe Nunes reforçou que a maioria dos analistas políticos brasileiros entende que a eleição presidencial deste ano tende a ser decidida por uma fatia pequena do grande eleitorado brasileiro.

Ele citou que o Brasil tem hoje cinco grupos políticos no eleitorado, os lulistas, que correspondem a 19% do eleitorado, a esquerda não lulista, que corresponde a 14% do eleitorado e esses dois grupos, somados, estão com 33%.

Do outro lado, ainda de acordo com o diretor Quaest, temos 21% da direita não bolsonarista e 12% da direita bolsonarista, totalizando mais 33% do eleitorado. Quem sobra? Sobram 32% de independentes, já tirando 1% de indecisos.

Só que eles têm uma característica: a maior parte dos independentes hoje está desanimada, apática e deve se abster do processo eleitoral. Portanto, desses 32% de independentes, só 10% tendem a votar na eleição deste ano.

Ou seja, os atuais presidenciáveis estão em busca de convencer o coração e conquistar as mentes desses 10%. Para Aruaque Barbosa, em relação à questão presidencial aqui no Estado, o que se vê pelas últimas pesquisas feitas é que a maioria da população, cada vez mais, não quer se identificar como direita ou esquerda.

“E isso vai refletir no voto. O que isso quer dizer? A população não quer extremismo. Aqui no Estado, os eleitores ‘nem-nem’ estão rejeitando tanto o posicionamento da família Bolsonaro quanto o do presidente Lula. Então, se tiver um perfil moderado, com certeza vai ter muitos votos aqui e nos outros estados brasileiros”, assegurou o diretor do IPR.

Ele completou que o eleitor sul-mato-grossense não tem um nome definido, apenas um perfil. “O que eles querem? Querem alguém da direita, alguém conservador, como é a maioria da população do Estado. Porém, eles querem alguém que saia dessa dualidade Bolsonaro-Lula”, alertou.

Obviamente, conforme Aruaque Barbosa, o presidente Lula tem os seus votos aqui, como o ex-presidente Jair Bolsonaro também tem os seus, mas há uma grande parte do eleitorado – e é essa parcela que deve decidir quem vai ganhar aqui no Estado para presidente da República – que procura um candidato com viés mais de centro, mais moderado, porém, mais alinhado à direita.

“O grande problema que pode acontecer nas eleições deste ano é se tiver uma pulverização de candidatos à direita. Vamos supor que saiam como candidatos Ratinho Jr. (PSD), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), os votos da direita ficarão distribuídos.

Com esse cenário de muitos candidatos da direita e praticamente só o Lula da esquerda, o atual presidente da República terá mais votos e será reeleito”, projetou.

Na avaliação dele, não porque o PT é forte aqui, mas porque a fragmentação da direita vai fazer com que os votos do Lula sejam superiores aos de qualquer um dos demais candidatos da direita.

“Lógico que, havendo um segundo turno, será mais provável que todos esses candidatos da direita se alinhem e votem em um único candidato da mesma vertente política”, argumentou.

Porém, Aruaque Barbosa comentou que, se esse candidato for um radical da direita, aí pode acontecer um número alto de abstenções, porque essas pessoas não querem votar no Lula, mas também não querem votar em um candidato da extrema direita.

“Há ainda uma outra possibilidade, que é a de que algumas dessas pessoas mudem de opinião e votem no presidente Lula. Não porque o presidente seja uma boa opção, mas porque ele seria o menos pior que o radical da direita”, concluiu.

Fonte: correiodoestado.com.br

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