Notícia

Justiça de Israel prorroga prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila

Compartilhar:
Cover Image

O brasileiro estava a bordo de um navio da Global Sumud Flotilla.

Foto: Reuters/Amir Cohen/Proibida reprodução

Ele foi capturado em embarcação que levava ajuda para Gaza

O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, de Israel, prorrogou até o próximo domingo (10) a prisão do ativista Thiago Ávila, capturado ilegalmente por Israel durante missão humanitária. A decisão é do juiz Yaniv Ben-Haroush.

O brasileiro estava a bordo de um navio da Global Sumud Flotilla, que levava alimentos e itens básicos de sobrevivência para a população de Gaza. A embarcação navegava por águas internacionais, perto da ilha grega de Creta, no dia 30 de abril, no momento em que foi interceptada pelas forças israelenses.

Ávila foi levado a Israel juntamente com o palestino-espanhol Saif Abukeshek. Os demais ativistas da flotilha foram levados à Grécia. Ávila e outras seis pessoas compõem a delegação brasileira da flotilha. O grupo partiu de Barcelona, com destino a Gaza, em 12 de abril.

Em nota distribuída à imprensa, o movimento internacional afirma que Israel os privam de liberdade sem que exista nenhum indício ou prova contra Ávila e Abukeshek, nem acusação formal, consequentemente.

As advogadas do Adalah (centro de prestação de assistência jurídica), Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, que representam os dois, argumentam que Israel acusa os ativistas com base em provas sigilosas, ao qual não tiveram acesso. A equipe de defesa afirma ainda que socorrer civis atingidos pela violência sionista não configura crime ou sinaliza ligações com o terrorismo.

"A Adalah esclarece que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se destina a interrogatórios em curso. Durante uma audiência anterior, o Ministério Público israelense apresentou uma lista de supostos crimes, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro participação e prestação de serviços a uma organização terrorista e transferência de bens para uma organização terrorista", destaca a Global Sumud no informe.

Segundo a defesa, os procedimentos seriam ilegais pelo fato de os ativistas não serem cidadãos israelenses. Portanto, a legislação israelense não poderia ser aplicada, conforme o Adalah. Outro aspecto que invalidaria a lei de Israel, também levantado pelo coletivo, é a distância de mais de 1 mil quilômetros entre o ponto no qual foram sequestrados e Gaza.

Em nota anterior, a Global Sumud Flotilla informou que Ávila foi interrogado pela agência de inteligência Shabak (ISA) e que questionamentos teriam seriam feitos pelo Mossad, o instituto de inteligência de Israel.

"Embora os advogados da Adalah tenham exigido informações sobre as acusações, as autoridades israelenses se recusaram a fornecê-las", disse.

O Public Committee Against Torture in israel (PCATI) assinala que as autoridades israelenses têm usado uma prerrogativa do Chefe do Estado-Maior das FDI (Força de Defesa de Israel) para justificar as ordens de detenção, sob argumento de que a libertação do indivíduo prejudica a segurança do Estado.

Mobilização

A Frente Palestina São Paulo se mobilizou nesta terça-feira (5) para reivindicar intervenção do governo brasileiro na soltura do ativista. Segundo a frente, Ávila e Abukeshek foram interrogados sob tortura, maus-tratos e ameaças, inclusive a seus familiares.

"É preciso mais do que ações simbólicas ou que têm se mostrado mínimas diante dos crimes contra a humanidade. É preciso mais do que o reconhecimento dessa situação e de assistência consular obrigatória. O estado de Israel avança porque se sente avalizado, diante de tamanha impunidade. O governo brasileiro pode e deve fazer a diferença", defende.

Uma das reféns brasileira levada à Grécia, Mandi Coelho, relatou em uma carta os maus-tratos sofridos pelo grupo. "Fomos violentados e privados de água, comida e remédios. Tiraram nossas roupas e sapatos. Dormimos no molhado e apinhados. Eu estou machucada, mas moralmente bem", contou, na última sexta-feira (1º).

A organização pró-Palestina defende o rompimento das relações entre Brasil e Israel por ser "uma obrigação legal diante de um genocídio, conforme a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, da qual o Brasil é signatário".

Outras reivindicações do grupo é levar o caso de Ávila a cortes internacionais. A reportagem procurou o Ministério das Relações Exteriores, mas não obteve retorno até o momento.

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (5), que a detenção do ativista brasileiro é injustificável.

“Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha Global Sumud, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos. A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional”, escreveu Lula em publicação nas redes sociais.

“Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, acrescentou o presidente.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Brasil e Rússia discutem aumento das relações na área de energia

Tarifaço de Trump joga por terra ideia do livre comércio, diz Lula

Saiba mais
Cover Image

Lula reúne Brics para marcar posição sobre tarifaço, guerras e COP30

Líderes participam de cúpula virtual na manhã desta segunda (8). Brasil organizou encontro para discutir diferentes vertentes do multilateralismo

Saiba mais
Cover Image

Em Nova York, Lula se reúne com Dina Boluarte, presidenta do Peru

Encontro ocorreu à margem da Assembleia Geral da ONU

Saiba mais
Cover Image

Lula fala para milhares na Espanha e pede coerência dos progressistas

Presidente participou de Mobilização Progressista Global (MPG)

Saiba mais
Cover Image

Em carta aberta, Zelensky propõe encontro com Putin: 'Chega de guerra'

Presidente ucraniano sugere que reunião aconteça em território neutro, como Suíça ou Turquia, e pede cessar-fogo total durante as negociações

Saiba mais
Cover Image

No Peru, Sánchez reconhece derrota nas eleições para Fujimori

Declaração ocorre três dias após a confirmação da vitória da candidata conservadora pelas autoridades eleitorais do país. Durante apuração apertada, o deputado de esquerda ameaçou não reconhecer o resultado

Saiba mais