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MS conquista três Institutos de Ciência com foco na biotecnologia e produção sustentável

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Juntos os INCTs receberão R$ 40 milhões de reais em investimentos para coordenar grandes grupos de pesquisa.

Foto: Leandro Benites e Arquivo Pessoal

Mato Grosso do Sul passa a integrar de forma ainda mais expressiva o cenário nacional de ciência e inovação

Mato Grosso do Sul passa a integrar de forma ainda mais expressiva o cenário nacional de ciência e inovação com a aprovação de três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) em chamada promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com resultado final divulgado esta semana.

As propostas coordenadas pela Embrapa Gado de Corte, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) terão impacto na ampliação da competitividade e sustentabilidade do agro brasileiro.

Juntos os INCTs receberão R$ 40 milhões de reais em investimentos para coordenar grandes grupos de pesquisa. A parceria oficializada com o governo estadual prevê R$27,519 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), principal fundo de fomento à ciência do país, vinculado ao MCTI. Outros R$11,433 milhões virão por meio da Fundect e R$ 685,9 mil da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

“A ampliação da proposta do INCT Bioinspr/UCDB e a aprovação inédita dos INCTs da Embrapa Gado de Corte e da UEMS no programa refletem a excelência científica local e alinham-se às estratégias de desenvolvimento sustentável e tecnológico do Estado” - Márcio de Araújo Pereira, diretor-presidente da Fundect.

“O apoio da Fundect aos novos INCTs fortalece a base científica do estado e estimula a geração de soluções inovadoras com alto potencial de transferência tecnológica, sobretudo em setores estratégicos como o agronegócio e a cadeia da proteína animal”, afirma Nalvo Franco, diretor-científico da fundação.

A iniciativa integra o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, concebido para fomentar redes colaborativas de pesquisa com alto impacto científico, tecnológico e social. A edição atual da chamada priorizou áreas estratégicas como biotecnologia, inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde pública e desenvolvimento sustentável – e os dois projetos sul-mato-grossenses estão diretamente inseridos nessas temáticas.

INCT Bioinspir: Biotecnologia e inovação inspirada na natureza

Coordenado pelo professor Octávio Luiz Franco, o INCT Bioinspir amplia sua atuação, anteriormente voltada à área da saúde, para desenvolver moléculas bioativas com aplicação no agronegócio. O projeto, que já havia captado R$ 4,9 milhões em edital anterior da Fundect, agora passa a atuar diretamente no controle biológico de pragas, fungos e bactérias em plantas.

“Expandimos nossa atuação para o setor agrícola, após amplo diálogo com o setor produtivo e o governo estadual, que enxergam no agro uma das principais vocações econômicas de Mato Grosso do Sul” - Octavio Luiz Franco.

O pesquisador afirma que um dos diferenciais da nova etapa do Bioinspir é o uso de plataformas baseadas em inteligência artificial, voltadas à aceleração do desenvolvimento de peptídeos e compostos inovadores, com potencial de gerar novos produtos no mercado.

O Bioinspir é composto por uma rede robusta, com mais de 15 instituições nacionais e 24 internacionais. Entre os parceiros estão universidades e empresas de tecnologia de diversos países, além de grandes indústrias e startups brasileiras. Além da sede física na UCDB, o instituto opera de forma descentralizada, em modelo de laboratório em rede. As amostras e os pesquisadores circulam entre os parceiros internacionais, otimizando tempo e recursos.

INCT Gado de Corte: Ciência para uma pecuária mais sustentável e eficiente

Com R$ 13,5 milhões em financiamento, o INCT Gado de Corte, liderado pelo pesquisador Rodrigo Gomes (Embrapa Gado de Corte), estrutura-se como uma grande rede colaborativa nacional e internacional voltada à transformação da pecuária bovina brasileira.

O projeto reúne 30 instituições de ensino e pesquisa, incluindo 11 unidades da Embrapa, 15 universidades brasileiras, o Instituto de Zootecnia de São Paulo, a Fiocruz-MS e dois centros internacionais de excelência: a Universidade de Edimburgo (Escócia) e a Kansas State University (EUA).

O projeto está organizado em seis grandes frentes temáticas para desenvolver ações voltadas à sustentabilidade, segurança sanitária, melhoramento genético, reprodução animal, recuperação de pastagens degradadas e descarbonização da pecuária.

“Espera-se ainda evoluir o processo de melhoramento genético animal e também as práticas de reprodução para promover a eficiência e resiliência dos rebanhos bovinos brasileiros frente aos desafios climáticos e ambientais impostos e, também, a estruturação de uma plataforma de inteligência baseada em ciência de dados e inteligência artificial, para suporte aos diferentes atores da cadeia da carne bovina”, afirma Rodrigo Gomes, líder da iniciativa.

Para isso, a equipe estabeleceu 40 metas, com entregas que envolvem cultivares forrageiras, bioinsumos e sistemas de produção para intensificação sustentável e descarbonização, além de softwares, soluções para inspeção sanitária e tecnologias para a vigilância de doenças, visando à promoção da segurança sanitária da carne brasileira em padrões internacionais.

PantaClima: Ciência e Sustentabilidade para o futuro do Pantanal

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia PantaClima será um centro de pesquisa com cientistas de diferentes áreas e instituições para enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: os impactos das mudanças climáticas no Pantanal. Por meio das pesquisas, o Instituto pretende gerar conhecimento científico de ponta para utilização em políticas públicas e práticas concretas que promovam o uso responsável do território.

Coordenado pelo professor Jolimar Antonio Schiavo e com vice-coordenação da professora Patricia Vieira Pompeu, ambos da UEMS de Aquidauana, o instituto também vai reunir pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, como a EMBRAPA Pantanal, a Universidade de Zurique (Suíça) e a Universidade do Norte do Texas (EUA).

A ideia do PantaClima é realizar uma abordagem multidisciplinar para compreender como o Pantanal está sendo afetado pelas alterações climáticas. Para além disso, o instituto pretende propor soluções sustentáveis, garantindo a conservação do bioma e o bem-estar das comunidades locais.

Entre os principais focos do PantaClima estão o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa, a avaliação dos serviços ecossistêmicos, a análise dos impactos sobre os recursos hídricos, solos, biodiversidade e o regime de queimadas. Além disso, o projeto desenvolve tecnologias e práticas como o uso de microrganismos benéficos, sistemas silvipastoris com espécies nativas e estratégias de recuperação de áreas degradadas.

Por: Maristela Cantadori e Paulo Ricardo Gomes, Comunicação Fundect

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