Notícia

Países da UE aprovam acordo com o Mercosul

Compartilhar:
Cover Image

Um pedestre caminha em frente ao edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruexelas.

Foto: Nicolas Tucat/AFP

Aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado na semana que vem

Uma maioria qualificada de Estados europeus aprovou na sexta-feira o acordo de livre-comércio com o Mercosul, apesar da indignação dos agricultores e da oposição da França, segundo fontes diplomáticas. O aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje já na segunda-feira ao Paraguai para assinar o tratado comercial com o bloco sul-americano. O país está na presidência rotativa do Mercosul neste ano.

A votação oficial, porém, ainda não ocorreu. A leitura de que o acordo foi aprovado é baseada nas declarações de embaixadores dos 27 países-membros durante a reunião, que começou às 11h, horário de Bruxelas, e os votos serão declarados às 17h.

Segundo o jornal espanhol El País, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram-se contrárias ao acordo, enquanto a Bélgica decidiu se abster.

O que mudou foi a posição da Itália, que se deu por satisfeita com as concessões feitas aos agricultores nos últimos dias. Com isso, foi possível garantir a maioria qualificada de 55% dos países que representem ao menos 65% da população da União Europeia.

— É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático — disse Olof Gill, um dos porta-vozes da comissão, braço executivo do bloco europeu.

Segundo o jornal espanhol El País, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram-se contrárias ao acordo, enquanto a Bélgica decidiu se abster.

O que mudou foi a posição da Itália, que se deu por satisfeita com as concessões feitas aos agricultores nos últimos dias. Com isso, foi possível garantir a maioria qualificada de 55% dos países que representem ao menos 65% da população da União Europeia.

— É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático — disse Olof Gill, um dos porta-vozes da comissão, braço executivo do bloco europeu.

INFO 1 - UE MERCOSUL NOVO - Saiba mais sobre o acordo — Foto: Arte O GLOBO

O tratado é resultado de mais de 20 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Próximos passos

Mesmo que a assinatura avance em Assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor, já que do lado da UE é também necessário o aval do Parlamento Europeu, o que deve demorar semanas. Nessa etapa, é necessária apenas maioria simples dos eurodeputados.

No caso do Mercosul, cada nação precisa ratificar o acordo em seu próprio Congresso Nacional. No Brasil, isso significa a aprovação pelo Congresso Nacional, explica Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha.

Segundo ele, como o acordo na UE foi desmembrado, ele não precisa passar individualmente pelos parlamentos de cada país europeu. A Comissão Europeia tem competência para negociar a parte comercial e tarifária em nome do bloco.

— Isso faz com que a expectativa de que ele entre em vigor seja mais realista. Se tivesse que passar por cada parlamento (europeu), sabemos que isso não aconteceria. Mas não é o caso — diz Jaguaribe, que projeta a assinatura como um primeiro passo simbólico significativo para os países envolvidos.

Oposição ao acordo

Cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após o presidente da França, Emmanuel Macron, e da premiê italiana, Giorgia Meloni, recusarem-se a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.

Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais, que temem competição com produtos do Mercosul.

Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até € 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.

Fonte: oglobo.globo.com

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Presidente do México sobe o tom e denuncia 'ameaças' à soberania nacional em meio a tensões com os EUA

Claudia Sheinbaum diz que é preciso lembrar a 'grandeza do país' no combate a um 'espírito intervencionista'

Saiba mais
Cover Image

Lula rebate Trump sobre Brasil ser um mau parceiro comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu, nesta quinta (14), como “mentira” uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Brasil seria um mau parceiro comercial

Saiba mais
Cover Image

China propõe nova ordem mundial ao lado da Rússia e da Índia

Nova Délhi se aproxima de Pequim em meio às tarifas de Trump

Saiba mais
Cover Image

Novos drones sobrevoam maior base militar da Dinamarca, e UE planeja 'muro antidrones'

Governo dinamarquês acusa Rússia por onda de drones de origem desconhecida. Nesta semana, aeroporto de Copenhague fechou também por sobrevoo de aeronaves do tipo. Ministros da Defesa de países da UE debatem técnicas para aumentar defesa aérea

Saiba mais
Cover Image

China encerra embargo e libera frango do RS após surto sanitário

Suspensão durava desde 2024 e afetou exportações do estado

Saiba mais
Cover Image

Universidad Interamericana celebra aprovação de alunos no Revalida 2026/1 e reforça excelência na formação médica

Com infraestrutura voltada à excelência acadêmica, a Universidad Interamericana consolida-se como uma das principais referências no ensino da Medicina no Paraguai

Saiba mais