Notícia

PRF já barrou R$ 6 milhões em canetas emagrecedoras em MS

Compartilhar:
Cover Image

PRF já barrou R$ 6 milhões em canetas emagrecedoras em MS.

Foto: PRF / Divulgação

BR-463, que liga Ponta Porã a Dourados, é responsável por mais das metades das ações, justamente pela proximidade com o Paraguai e por causa da fronteira seca

Ainda sob influência das promessas de perda de peso de maneira rápida e fácil, as canetas emagrecedoras estão sendo contrabandeadas por diversas rotas de Mato Grosso do Sul, e nas rodovias federais a apreensão destas já somam quase R$ 6 milhões somente nos últimos sete meses, segundo dados enviados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao Correio do Estado.

No documento ao qual a reportagem teve acesso, foi revelado que foram apreendidos 6.550 emagrecedores entre 5 de junho do ano passado a 13 de janeiro deste ano – 5.281 no segundo semestre de 2025 e 1.269 somente nas primeiras duas semanas deste ano.

Em média, são quase 30 emagrecedores apreendidos a cada 24 horas nas rodovias federais.

Ao considerar uma média de R$ 900 por produto, a PRF apreendeu cerca de R$ 5,85 milhões em emagrecedores durante o período analisado.

Porém, vale destacar que o preço cobrado pelos “fornecedores ilegais” podem ser ainda maiores a depender da região do comprador, o que aumentaria o valor total confiscado.

Responsável por ligar os municípios de Ponta Porã e Dourados, a BR-463 é a rota favorita dos contrabandistas justamente pela proximidade com o Paraguai, país de onde os vendedores adquirem os emagrecedores de forma bem mais barata, e conseguem “distribuir” para uma boa parte do Estado.

Das 99 apreensões realizadas pela PRF nos últimos sete meses, 50 foram na rodovia que conta com 120 quilômetros de extensão.

Em seguida, aparece a BR-060 (que liga Brasília a Campo Grande), com 21 apreensões, e a BR-163 (que liga o Sul ao Norte do País, atravessando alguns municípios de Mato Grosso do Sul), com 14 apreensões.

Também são citadas no documento as rodovias federais BR-267, BR-262, BR-419 e BR-338, além da estadual MS-338.

O recorde aconteceu em 17 de dezembro de 2025, quando foram confiscadas 840 canetas emagrecedoras na BR-060, no município de Sidrolândia.

Na ocasião, os policiais desconfiaram do nervosismo apresentado pelo motorista de um Toyota Hilux abordado. Ele confessou que carregava mercadorias ilegais e que teria pego a carga em Ponta Porã.

Em entrevista recente ao Correio do Estado, o fiscal da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Matheus Moreira Pirolo, já havia falado que os contrabandistas preferem passar a mercadoria ilegal por Mato Grosso do Sul pela crença de que é um estado menos policiado do que o Paraná, que também faz divisa com o Paraguai.

Por consequência, esta atitude dos criminosos acabam aumentando o fluxo de canetas emagrecedoras no Estado, chegando de maneira mais fácil nas mãos do consumidor final, que também lhe é ofertado diversas opções nos mercados paralelos.

“[Queremos] acabar com essa ideia de que Mato Grosso do Sul é um corredor seguro para o crime, para as infrações. Supõe-se que aqui seria mais fácil passar para o restante do Brasil do que pelo Paraná, que aqui seria despoliciado. Então, a gente também quer enfrentar essa ideia de que aqui seria terra sem lei”, pontuou o fiscal.

Também, a confirmação de que a rodovia BR-463 é a mais usada pelos contrabandistas se junta a versão dada por Pirolo, que disse que os emagrecedores são adquiridos por até R$ 500 nos municípios fronteiriços (Ponta Porã, Bela Vista, Antônio João e Coronel Sapucaia) e vendidos até pelo triplo a depender da região ou estado do interessado.

Atualmente, os emagrecedores T.G. 5 (RE 4.030); Lipoless (RE 3.676); Lipoless Éticos (RE 4.641); Tirzazep Royal Pharmaceuticals (RE 4.641) e T.G. Indufar (RE 4.641) não são permitidos para comercialização, fabricação, distribuição, importação ou divulgação por meio de propaganda no País, segundo a última norma publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Vale lembrar que o Mounjaro e o Ozempic, que são as marcas de emagrecedores mais conhecidas, podem ser utilizados normalmente em território nacional, já que foram regulamentados pela agência sanitária.

FORÇA-TAREFA

Uma força-tarefa de Mato Grosso do Sul, composta por órgãos estaduais e federais, apreendeu, na semana passada, milhares de canetas emagrecedoras de diversas marcas avaliadas em mais de R$ 1 milhão.

A ação foi liderada pela Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde (SES) em parceria com os Correios, e confiscou 2.071 unidades de produtos irregulares oriundos do Paraguai, entre eles canetas emagrecedoras injetáveis, esteróides anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina (Venvance), dos quais não possuem autorização da Anvisa para serem comercializados no Brasil.

O objetivo da força-tarefa é reduzir em, pelo menos, 80% o fluxo destes medicamentos e a operação vai durar até o fim deste mês.

Os milhares de produtos apreendidos foram parar no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, no bairro Amambaí, em Campo Grande, que também contou com apoio da Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul (CVPAF-MS) e do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF-MS).

UNIÃO

A reportagem também entrou em contato com a Polícia Federal (PF), Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e Receita Federal para conseguir mais dados de apreensões de emagrecedores no Estado.

Contudo, até o fechamento desta edição, não obteve retorno destes três órgãos.

Ainda sim, recentemente, é possível observar que as forças policiais estão atuando no combate às canetas ilegais. Por exemplo, na terça-feira, a PF e a Receita Federal atuaram juntas em duas operações que resultaram em apreensões de emagrecedores: Operação Emagrecimento Seguro, em Campo Grande, e outra ação em Dourados.

Em ambas as ocasiões, os produtos vieram de fora do País e adentraram de maneira ilícita em Mato Grosso do Sul. Não foram informadas a quantidade apreendida.

Saiba

A maioria das remessas de emagrecedores ilegais são escondidas pelos contrabandistas em meio a outros produtos e objetos, com o objetivo de dificultar a fiscalização e identificação dos ilícitos.

Fonte: correiodoestado.com.br

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Inquisidor, ex-desembargador se cala diante de delegado da PF

Júlio Siqueira foi o primeiro envolvido em suposto esquema de venda de sentenças judiciais a ser chamado pela PF. Antes de chegar ao TJ, presidiu mais de 1,2 mil audiências de júri popular

Saiba mais
Cover Image

PF mira grupo que leva cocaína de Corumbá a SP em voos comerciais

Quatro pessoas foram presas em Campo Grande e na Capital do Pantanal; investigação identificou duas remessas do grupo ao aeroporto de Campinas

Saiba mais
Cover Image

Mulher liga para a PM e finge pedir dipirona para denunciar violência doméstica

Policial inicialmente pensou se tratar de engano, mas logo percebeu que era uma denúncia disfarçada e ajudou a vítima

Saiba mais
Cover Image

Mulher apanha de cabo de vassoura ao flagrar marido tentando estuprar cadela

Vizinhos relataram ainda que o homem oferecia dinheiro a crianças que passavam na rua

Saiba mais
Cover Image

Dois seguem foragidos após megaoperação que prendeu prefeito de Terenos

No total, foram 16 mandados de prisão, com 14 cumpridos; Ao menos nove pessoas foram encaminhadas para o presídio e outras cinco permanecem custodiadas

Saiba mais
Cover Image

Polícia Federal deflagra nova fase da Operação Overclean

Investigados podem responder pelo crime de organização criminosa

Saiba mais