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Protestos no Irã já deixaram 65 mortos e mais de dois mil presos

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Donald Trump, presidente dos EUA, e Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

Foto: Chip Somodevilla / POOL / AFP e KHAMENEI.IR / AFP

As manifestações que começaram por causa da crise econômica ganharam tom político, com pedidos pela queda do regime islâmico. Autoridades iranianas acusam EUA e Israel de fomentar manifestações

Mais de 2,5 mil pessoas foram presas desde o início das manifestações, que começaram pouco antes da virada do ano, motivada pela crise econômica. A forte desvalorização da moeda iraniana afetou duramente os negócios dependentes de importações, irritando os comerciantes e pressionando os orçamentos das famílias. A moeda perdeu aproximadamente metade do seu valor em relação ao dólar em 2025.

Com o passar dos dias, os protestos ganharam caráter político, com manifestantes passando a exigir a queda do regime islâmico radical que governa o país há mais de 30 anos.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que vai proteger os bens públicos, enquanto as instituições religiosas que detêm o poder intensificaram as ações para conter as manifestações. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado na cidade de Karaj, a oeste de Teerã, e atribuiu o ataque aos manifestantes.

A televisão estatal também exibiu imagens de funerais de integrantes das forças de segurança que, segundo o governo, morreram durante confrontos em outras três cidades.

As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos. As declarações ocorrem após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir um novo alerta aos líderes iranianos. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington apoia o que chamou de “o bravo povo do Irã”.

Para o professor de História das Relações Internacionais da Unicuritiba, Andrew Patrick Traumann, os protestos começaram com uma pauta econômica, mas ganharam novos contornos após o apoio norte-americano. O analista, no entanto, avalia que uma transição democrática é pouco provável no país.

“Acredito que a tendência seria a transformação de um regime teocrático para um regime militar, muito bem aparelhado, com orçamento gigantesco. Essa é uma das principais críticas dos cidadãos iranianos: gasta-se muito com defesa e pouco na área social. O Irã não é a Venezuela. Estamos falando de forças militares muito mais fortalecidas e patrióticas, que dificilmente a cabeça de alguém ali". As autoridades iranianas mantêm o bloqueio da internet, o que dificulta a obtenção de informações precisas sobre a escalada da violência. O Exército, subordinado ao Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, declarou que vai proteger os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica e os bens públicos do país.

Fonte: cbn.globo.com

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