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No Peru, Sánchez reconhece derrota nas eleições para Fujimori

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A candidata presidencial de direita do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez.

Foto: Reuters/Alessandro Cinque

Declaração ocorre três dias após a confirmação da vitória da candidata conservadora pelas autoridades eleitorais do país. Durante apuração apertada, o deputado de esquerda ameaçou não reconhecer o resultado

Roberto Sánchez, candidato de esquerda que disputou a Presidência do Peru com a conservadora Keiko Fujimori reconheceu a derrota nas urnas nesta segunda-feira (6), três dias depois das autoridades eleitorais peruanas terem declarado a adversária vencedora.

Após ameaças de contestação do resultado durante a apuração, Sánchez e seu partido afirmaram em comunicado que "reconhecem que a Comissão Nacional Eleitoral proclamou oficialmente os resultados eleitorais".

No dia 23 de junho, depois de liderar uma grande marcha de protesto com seus apoiadores dias antes, Sánchez afirmou que havia uma "fraude em curso" no processo de contabilização dos votos.

O partido dele, Juntos por el Peru, entrou com ações judiciais junto à Justiça eleitoral para anular os votos de Lima e do exterior, alegando padrões de votação que favoreceram Fujimori.

A vitória de Fujimori foi ratificada pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), órgão máximo das eleições no país, na sexta-feira (3), em uma cerimônia de proclamação.

Fujimori teve 9.223.396 de votos, ou 50,135%, contra 9.173.755 de votos de seu concorrente, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, ou 49,865% dos votos, no segundo turno.

A votação ocorreu no dia 7 de junho. A apuração dos votos demorou semanas e mostrou um cenário de forte polarização no país, com apenas 49.641 votos separando os dois candidatos.

Durante a cerimônia de proclamação, o JNE informou que julgou improcedente um pedido do partido de Sánchez para impugnação das urnas no exterior — ele teria a maioria dos votos caso só fossem contados os votos dados no território peruano.

Sánchez, adversário de Keiko no segundo turno, indicou que não aceitaria os resultados e disse que protestaria na Corte Internacional de Direitos Humanos.

No último dia 24, quando alcançou uma vantagem irreversível de votos na apuração, Keiko fez um discurso como vencedora de fato do pleito, mas sem reivindicar a vitória. Ela prometeu voltar a unir o país.

"Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio", disse Fujimori em frente a repórteres em Lima.

Fujimori deve assumir o país em um momento de aumento da criminalidade e grandes desafios sociais. Ela também deverá ter dificuldade em negociar com o Legislativo, profundamente dividido entre esquerda e direita.

Instabilidade presidencial

Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, assumirá o país em um momento de instabilidade política. A direitista substituirá o atual presidente, José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu o poder de forma interina há apenas quatro meses.

Zelada substituiu o ex-presidente José Jeri, que também ficou no cargo por apenas quatro meses e foi destituído pelo Congresso por má conduta após vir à tona que ele participou de reuniões não divulgadas com empresários chineses. Sua antecessora, Dina Boluarte, também foi destituída por escândalos de corrupção.

Boluarte também era interina e havia substituído o ex-presidente Pedro Castillo, que foi preso após dissolver o Congresso e declarar estado de exceção, em uma manobra para tentar driblar um processo de impeachment.

As crises foram só as últimas envolvendo presidentes do Peru, que vive na última década um dos piores períodos de instabilidade política de sua história. Só nos últimos oito anos, o país andino teve oito presidentes.

Apuração e protestos

Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou seus apoiadores para protestos. O esquerdista disse ainda que pediria recontagem e recorreria ao CIDH para contestar o resultado.

Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, chegou a liderar a apuração durante dias, mas Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, voltou a passar à frente devido aos votos de cidadãos peruanos no exterior.

O candidato de esquerda também apresentou um novo recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país.

Sánchez alega supostas irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior. Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.

Fonte: g1.globo.com

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