Inicialmente previstas para terem início em fevereiro deste ano, as obras para instalação da fábrica de celulose da Bracell, um projeto da ordem de R$ 20 bilhões, em Bataguassu, divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo, devem começar somente em 2027.
A informação sobre o possível início das obras foi divulgada pelo ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Jaime Verruck, que na quarta-feira (8) postou um vídeo em suas redes sociais mostrando o exato local onde será construíada a fábrica, às margens da BR-267, entre o distrito de Nova Porto XV e a cidade de Bataguassu.
No vídeo, o ex-secretário, que deixou o cargo de olho em uma vaga de deputado federal, faz questão de enfatizar que não correu alteração do local no qual será erguido o empreendimento.
Embora a Bracell alegue que nunca chegou a tratar de cronograma para início das obras, em agosto 22 de agosto do ano passado o governador Eduardo Riedel previu que as obras começariam em fevereiro deste ano.
Naquela data, após um encontro com o comando da empresa, o governador estimou que esta licença de instalação seria concedida antes do final de 2025. "Deu certo, assinamos o acordo final. Eles começam agora em fevereiro de 2026 a obra já e estamos discutindo novos investimentos", comemorou o governador naquele dia.
Porém, a empresa retirou da secretaria de Meio Ambiente o pedido de Licença de Instalação para fazer ajustes no projeto. Estes ajustes apontavam mudança no local onde seria feita a instalação.
Agora, porém, o atual secretário de Meio Ambiente, Arthur Falcette, diz que está apenas ocorrendo uma adaptação no projeto original. "Assim que eles terminarem as adequações no layout eles vão protocolar novamente o pedido de instalação. Pelo que a gente tem conhecimento, a equipe técnica já terminou estes ajustes e está em vias de reapresentar para o Imasul", afirmou o secretário no dia 30 de junho.
Em sua postagem nesta quarta-feira, o ex-secretário também fez questão de dizer que "o local não mudou. É exatamente ali, na beira da BR-267, entre Porto XV e a sede do município", afirmou Jaime Verruck no vídeo gravado no acostamento da rodovia, que naquele trecho será duplicada.
No final do vídeo (veja ao final da reportagem) o secretário diz que a próxima etapa "é a licença de instalação. E como a gente tem mostrado, no próximo ano devemos ter o início, aqui nessa área, da construção da nossa mais nova indústria de celulose, consolidando o vale da celulose, trazendo todo o desenvolvimento do vale da celulose para o município de Bataguassu e região."
Em dezembro do ano passado foi concedida a chamada Licença Prévia. E, no começo de janeiro, durante visita ao local onde será construída a fábrica, o então secretário Jaime Verruck havia afirmado que “em março, a empresa deve receber a Licença de Instalação. Acho que esse será um marco importante dentro desse processo”.
Em 28 de março, contudo, Jaime Verruck afirmou que "ainda faltam alguns trâmites a serem realizados, mas acredito que até o final de abril ou começo de maio a gente deve entregar a licença de instalação da fábrica”, que até agora não foi concedida.
A FÁBRICA
A fábrica, a primeira de Mato Grosso do Sul a pruduzir celulose para fabricação de tecidos , ficará a nove quilômetros da área urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da hidrelétrica de Porto Primavera, a cerca de três quilômetros do lago.
E é deste lago, resultado do represamento do Rio Paraná, que a indústria vai coletar os 11 milhões de litros de água por hora que serão necessários para viabilizar o funcionamento da indústria. Cerca e 9 milhões de litros serão devolvidos ao lago depois da utilização. Segundo a Bracell, todos os efluentes serão tratados e trarão impacto mínimo na qualidade da água.
As obras desta fábrica, que exigirão inestimentos da ordem de US$ 4 bilhões, segundo Verruck, devem se estender ao longo de 38 meses, sendo quatro para os trabalhos de terraplanagem e 34 para a construção da fábrica propriamente dita. Ou seja, se começarem no início de 2027, devem se estender até o primeiro semestre de 2030.
No pico dos trabalhos devem ser gerados 12 mil empregos e em torno de dois mil depois que o empreendimento entrar em operação. Por ano, conforme o projeto original, a indústria deve processar 12 milhões de metros cúbicos de eucaliptos, que sairão de cerca de 300 mil hectares de reflorestamento. Em torno de um terço deste montante já está em fase de crescimento em municípios como Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo e Bataguassu.
Em anos sem interrupção para manutenção dos equipamentos serão produzidos, conforme o estudo de impacto ambiental, 2,9 milhões de toneladas de celulose. Dependendo da demanda, a unidade terá condições de produzir celulose solúvel, como já ocorre com a fábrica do grupo asiático em Lencóis Paulista (SP).
Fonte: correiodoestado.com.br
Comentários
sem comentários
Faça login ou cadastro para poder comentar