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Deputados da ALEMS debatem operação policial com mortes no Rio de Janeiro

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Deputado Pedro Kemp usou a tribuna para falar sobre o assunto, dando início ao debate.

Foto: Luciana Nassar

Kemp comparou com a operação feita na Avenida Faria Lima, em São Paulo (SP), em que mais de R$ 40 bilhões em desvios e lavagem de dinheiro foram desarticulados

A operação policial ocorrida na semana passada nos Complexos da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com mais de 100 mortos, foi tema de debate na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) nesta terça-feira (4). Quem iniciou o assunto foi o deputado Pedro Kemp (PT), que defendeu na tribuna que o combate ao tráfico de drogas e crime organizado não se faz com mortes, mas com “planejamento, inteligência e articulação integração das polícias”.

“Precisamos ir além do que se fala: ‘bandido bom é bandido morto’. Penso que o que aconteceu é um filme que a gente já viu antes. Resolveu o problema do crime ou milícias? Os chefões continuam lá tomando uísque, fora das favelas. Mais uma vez não é bonito estampar aquela fila de corpos estendidos, para o mundo ver como o Brasil enfrenta, porque os tubarões não estão no morro, mas em mansões luxuosas”, afirmou o deputado.

Kemp comparou com a operação feita na Avenida Faria Lima, em São Paulo (SP), em que mais de R$ 40 bilhões em desvios e lavagem de dinheiro foram desarticulados. “Quantos tiros aconteceram? Nenhum. Quantas mortes? Nenhuma. Agora, uma operação daquela que aconteceu no RJ resolveu o problema? Não, hoje eles estão se reorganizando. Então o que a gente questiona é até que ponto não foi uma operação midiática. A aprovação do governador do RJ subiu, porque ele sabe que uma parte da população aprova isso”, lamentou o deputado.

Para o parlamentar a reunião feita pelos governadores que alegam que estão sem apoio do Governo Federal para o combate do crime organizado, com participação de Eduardo Riedel do Mato Grosso do Sul, configura discurso político “em cima de uma situação gravíssima e uma inverdade". “Outra coisa, por que os governadores da direita não apoiam o projeto do presidente Lula para criar no Brasil um Sistema Nacional da Segurança Pública? Eles não querem um sistema integrado entre as polícias, porque querem fazer política. Que então apoiem esse projeto se de fato querem combater o crime”, defendeu.

Por outro lado, o deputado Coronel David (PL), quem já comandou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, disse que a operação no Rio de Janeiro foi planejada por mais de um ano, acompanhada pelo Ministério Público e Justiça com o cumprimento de mandados, e que comparar a Faria Lima com os complexos é tratar a Segurança Pública como “conversa de esquina”.

“A esquerda gosta é de bandido. A operação foi totalmente diferente, o morro é um ambiente hostil, com facção altamente armada. Cumpriram mandados de busca e apreensão. Na Faria Lima ninguém estava escondido com fuzil. Ou faz operações como essa, que teve a grande maioria apoiando, ou vamos perder para o crime organizado. E o governador do Rio de Janeiro teve coragem de fazer isso. Outra coisa é que ninguém do PT votou a favor da CPI contra o crime organizado no Congresso Nacional. Quanto à integração das polícias é retirar poder dos governadores e isso ninguém vai aceitar”, detalhou Coronel David.

Na sequência, Zeca do PT (PT), que já foi governador de Mato Grosso do Sul por dois mandatos, usou a fala. “Quero encher meu ouvido de algodão para não escutar tanta baboseira. É patético, vergonhosa e inoportuna a fala do deputado, tanto quanto foi a reunião dos governadores. É a velha história do bandido bom é morto, mas negro e pobre, porque quando é rico eles pedem anistia. Então eu vou falar que vamos entrar com requerimento para mandar para o Tribunal de Contas para saber quem pagou a despesa do governador Eduardo Riedel para ir participar de uma reunião dessas que foi visando a reeleição”, criticou.

Da mesma forma, Gleice Jane (PT) defendeu que o tema da Segurança Pública deve ter a participação popular nas decisões, assim como em Saúde e Educação. “Até porque vou dar um exemplo de uma fala da Segurança Pública sobre um confronto da Polícia com indígenas, quando questionados foi relembrado um caso de 2006 que ocorreu a morte de dois policiais que estavam à paisana. Oras, operação como alternativa de vingança? Isso é discurso com condições de quem precisa pensar a Segurança Pública? E no Rio de Janeiro, quem morreu foi pobre ou foi rico? Quem mora na favela é pobre. A operação é para matar pobre e nós da esquerda estamos aqui para defender a vida, porque a Constituição Federal diz do direito à vida. Nós lutamos por isso e a Assembleia votou permitindo que o Plano de Segurança Pública fosse aprovado somente pelo Executivo, sem o aval do Legislativo sendo que nós temos o direito de reivindicar esse debate”, destacou.

Por: Fernanda Kintschner

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