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João Fonseca estreia no torneio onde, há 25 anos, Guga começou caminhada para o topo

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Guga esteve em Miami em 2019.

Foto: Divulgação/ Instagram @gugakuerten

Gustavo Kuerten perdeu final em Miami, mas aprendeu o que precisava para ser número 1 do mundo, 8 meses depois

Nova esperança do tênis brasileiro, João Fonseca estreará no Masters 1000 de Miami nesta quinta-feira (20), contra o americano Learner Tien, por volta das 20h (de Brasília). O torneio é o mesmo onde outro brasileiro viveu uma experiência importante: em 2000, Gustavo Kuerten chegou na final, perdeu para o americano Pete Sampras, mas conseguiu lições que foram importantes para o brasileiro virar o melhor do mundo meses depois.

João Fonseca de 2025 e aquele Guga de 2000 estão momentos diferentes. Não há comparação. João tem 18 anos e ainda está longe de chegar ao topo. É o 60º do ranking da ATP. Já Guga tinha 23 anos em 2000 e era o 6º melhor do mundo.

A melhor campanha de Guga em Miami Há 25 anos, Guga teve dificuldades na primeira rodada, contra o francês Arnaud Clément. Perdeu um set e salvou 2 match points, mas virou. Depois passou pelo croata Goran Ivanisevic, pelo italiano Gianluca Pozzi e pelo sul-africano Wayne Ferreira. Na semifinal, Guga enfrentou o melhor do mundo naquele momento, Andre Agassi, que era especialista no torneio. O brasileiro venceu por 2 sets a 0.

Na grande final, contra Sampras, Guga enfrentou a dificuldade que todos tinham contra o americano: ele tinha um estilo de jogo que pressionava muito os adversários. Sacava bem e partia para rede, com voleios rápidos e precisos. No primeiro set, Guga sofreu demais com isso e perdeu por 6 a 1.

Mas a partir do segundo set, Guga começou a entender o jogo de Sampras. E todos os sets seguintes foram decididos por detalhes, sempre no tie-break. Guga venceu o segundo. Mas perdeu o terceiro e o quarto. No último chegou a salvar 4 match points e, nesse momento, teve uma polêmica.

O juiz marcou uma bola dentro para Sampras. Mas Guga disse que ela saiu. Não havia o sistema de desafio, com replays, como existe hoje. O brasileiro lamenta: "Tomei uma garfada forte ali no final. Até hoje, quando vejo aquele desafio, me pergunto: 'Pô, por que esse desafio não veio antes? Eu já teria mais um título na carreira. Ou pelo menos um empate técnico!", brincou ele em entrevista ao ge.

Apesar de, atualmente, dar risada, no dia da derrota ele se irritou e até quebrou a raquete, algo pouco comum na carreira de Guga.

O que Guga aprendeu e como chegou ao topo Apesar da derrota, Guga explica que, naquele jogo, aprendeu a lidar com Sampras. E isso foi fundamental, meses depois, para ele derrotar o americano e virar número 1 do mundo.

"Ali eu identifiquei como meu jogo poderia funcionar contra o Sampras. Na primeira partida (derrota em 1999), eu ficava bem mais na frente do que eu costumava, tentando responder o saque. No jogo de Miami, eu tomei 6/1 no primeiro set fazendo essa mesma tentativa. Mas o Sampras sacava muito e eu falei: "Quer saber? Vou lá para trás, vou ver o que vai acontecer".

Dessa forma Guga conseguiu "abrir a quadra" e teve mais tempo para devolver do jeito certo, sem deixar Sampras confortável.

Essa estratégia foi utilizada em dezembro de 2000, na semifinal do Master 2000, em Lisboa. Marat Safin era o líder do ranking da ATP, mas tinha sido eliminado. Por isso, se Guga fosse campeão, assumiria a liderança.

E ele enfrentou duas lendas: primeiro derrotou Pete Sampras de virada, com tudo que aprendeu em Miami.

E na final, uma revanche: Andre Agassi tinha derrotado Guga no primeiro jogo daquele torneio. Mas na final o brasileiro venceu com sobras, por triplo 6-4.

João Fonseca não precisa e nem deve repetir a história de Guga. Mas pode se inspirar nela.

Fonte: band.uol.com.br

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