Notícia

Programa Centelha apoia inovação no Estado e transforma microrganismos em corante natural industrial

Compartilhar:
Cover Image

Microrganismos são seres vivos invisíveis a olho nu, como bactérias e fungos.

Foto: Divulgação

A ideia surgiu a partir de pesquisas acadêmicas com foco na aplicação da biotecnologia de forma sustentável

Em Mato Grosso do Sul, uma empresa tem desenvolvido uma alternativa aos corantes vermelhos químicos e aos naturais, que geralmente são feitos a partir de insetos. Usando biotecnologia e recursos do Pantanal, a Arandu Biotecnologia criou um corante natural vermelho produzido a partir de microrganismos encontrados no solo pantaneiro, com potencial de uso em diferentes setores industriais.

A ideia surgiu a partir de pesquisas acadêmicas com foco na aplicação da biotecnologia de forma sustentável. Microrganismos são seres vivos invisíveis a olho nu, como bactérias e fungos.

O corante desenvolvido pela empresa é obtido por meio de processos biotecnológicos, como a fermentação, que consiste em fomentar o crescimento controlado desses microrganismos para gerar o produto desejado. O modelo permite uma produção contínua, sem depender de fatores como clima ou sazonalidade.

Como o produto não utiliza matéria-prima de origem animal e nem solventes químicos agressivos, há redução nos impactos ambientais. O corante também atende a demandas de mercado por produtos chamados de “clean label” que, para atender determinados nichos de consumidores, têm composição mais simples, transparente e alinhada a padrões de consumo conscientes.

Sócio-fundador da Arandu Biotecnologia, Arthur Ladeira Macedo é pesquisador e atua no desenvolvimento da tecnologia que deu origem à empresa, conectando a produção científica à aplicação industrial. “O Centelha foi o pontapé inicial para tirar a tecnologia do papel e consolidar as primeiras entregas técnicas e de estruturação”, explica Macedo.

Com o apoio da segunda edição do Programa, a empresa iniciou sua estruturação como negócio e avançou no desenvolvimento. “Atualmente, a Arandu está na fase de transição do laboratório para a escala piloto pré-industrial”, completa.

Segundo ele, o processo de transição é sair da produção em pequena escala, típica de laboratório, para volumes maiores, mais próximos das condições reais da indústria, etapa que exige padronização, controle de qualidade e testes em diferentes aplicações.

Macedo explica também que a empresa trabalha na validação do corante em ambientes industriais, com foco em garantir desempenho, estabilidade e repetibilidade do produto. Também avança em aspectos regulatórios e na estruturação da operação para atender o mercado. “O processo ainda se encontra em fase de ajustes técnicos, o que é esperado neste estágio de desenvolvimento”, exemplifica.

Centelha 3

A experiência da Arandu exemplifica como o apoio público à inovação pode transformar pesquisa em solução prática, conectando conhecimento científico ao desenvolvimento econômico. Com a abertura da terceira edição do Programa Centelha, novas ideias poderão seguir o mesmo caminho. A iniciativa prevê a seleção de até 47 propostas, com investimento total de R$ 6,5 milhões.

Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, além de R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), totalizando R$ 139,6 mil por iniciativa.

Podem participar pessoas físicas, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. As inscrições seguem abertas até 11 de maio de 2026 e devem ser realizadas no endereço ms.programacentelha.com.br.

A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.

Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com a parceria de Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS).

Fonte: Comunicação Fundect

Compartilhar:

Comentários

sem comentários

Faça login ou cadastro para poder comentar

MATÉRIAS RELACIONADAS

Cover Image

Cidadania: Carreta Digital vira sala de aula em Mato Grosso do Sul para ensinar juventude indígena

A Carreta Digital estacionada no Instituto Mirim, em Campo Grande, abriu as portas na segunda-feira (3), para tornar a juventude indígena especialista em manutenção de celular

Saiba mais
Cover Image

Nave espacial da era soviética cai na Terra mais de meio século após missão fracassada para Vênus

Kosmos-482 pode ter permanecido intacta durante sua descida; ela caiu no oceano Índico, a oeste de Jacarta, na Indonésia

Saiba mais
Cover Image

Retinógrafos portáteis: Governo de MS avança na saúde digital com telediagnóstico em oftalmologia

O Governo de Mato Grosso do Sul avança na saúde digital com a nova tecnologia do telediagnóstico em teleoftalmologia-retinografia

Saiba mais
Cover Image

Dr. Cassiano Maia apresenta avanços da gestão municipal durante 3º Congresso Sul-Mato-Grossense de Cidades Digitais e Inteligentes

Durante sua apresentação, Dr. Cassiano compartilhou a experiência de Três Lagoas frente aos desafios enfrentados desde o início de sua gestão

Saiba mais
Cover Image

Iniciação científica ganha destaque em encontro no Bioparque Pantanal

O evento, tem como objetivo estimular o pensamento crítico e aproximar a sociedade do conhecimento científico

Saiba mais
Cover Image

Em iniciativa pioneira, Suzano adota robôs autônomos para movimentação de celulose em Ribas do Rio Pardo (MS)

Tecnologia desenvolvida em parceria com empresa brasileira automatiza a movimentação de celulose na fábrica, amplia a eficiência logística e capacita profissionais para atuar em um ambiente industrial cada vez mais tecnológico

Saiba mais