O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em Mato Grosso do Sul pela segunda vez em 2026. Nesta quinta-feira (25/06), ele participa de compromissos que contemplam desde o agronegócio até a agricultura familiar, dois setores fundamentais para a economia sul-mato-grossense.
A programação inclui a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, e a entrega de títulos e lotes para famílias da reforma agrária no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã. Mais do que compromissos distintos, as duas agendas revelam uma estratégia política e econômica: fortalecer diferentes modelos de produção que fazem de Mato Grosso do Sul uma potência no campo.
A retomada da UFN3 é considerada estratégica para o Brasil. Com as obras paralisadas por anos, a unidade volta a ser vista como peça-chave para ampliar a produção nacional de fertilizantes, reduzir a dependência externa e fortalecer a competitividade do agronegócio. Além de gerar empregos e movimentar a economia regional, o empreendimento representa um avanço na busca por maior soberania alimentar.
Se, em Três Lagoas, a agenda está voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do agronegócio, em Ponta Porã o foco será a agricultura familiar. O governo federal realizará a entrega de títulos e lotes no Assentamento Itamarati, um dos maiores e mais emblemáticos projetos de reforma agrária do Brasil. A iniciativa busca garantir segurança jurídica às famílias assentadas, ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a produção de alimentos.
As duas agendas possuem forte simbolismo político. Ao mesmo tempo em que impulsiona um empreendimento ligado diretamente à cadeia do agronegócio, Lula também reforça ações voltadas à agricultura familiar. A mensagem é clara: o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul passa tanto pela força do campo empresarial quanto pelo trabalho dos pequenos produtores rurais.
Mesmo enfrentando resistências em parte do setor, o governo Lula tem ampliado instrumentos de apoio ao campo, com sucessivos recordes no Plano Safra, expansão do crédito rural e retomada de investimentos estratégicos que impactam diretamente a produção agropecuária. Em Mato Grosso do Sul, estado que bate recordes de exportações e produção nos últimos anos, a visita presidencial busca reforçar a aproximação com um dos setores mais importantes da economia brasileira.
A visita também reafirma a importância de Mato Grosso do Sul no cenário nacional, tanto pela força de seu agronegócio e de sua indústria quanto pelo papel histórico que desempenha nas políticas de reforma agrária e desenvolvimento regional.
Mas, afinal, por que Lula escolheu Mato Grosso do Sul para essa agenda? Porque poucos estados representam tão bem a diversidade e a força do campo brasileiro. Aqui, grandes produtores e agricultores familiares convivem, produzem riqueza, geram empregos e ajudam a alimentar o país. Ao reunir esses dois mundos em uma mesma agenda, o presidente sinaliza que enxerga no MS um exemplo de que desenvolvimento econômico e inclusão social podem caminhar juntos e que o futuro do campo brasileiro pode ser construído com diálogo, investimento e cooperação.
Por: Tiago Botelho Advogado, professor da UFGD e doutor em Direito
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